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Voluntária portuguesa fala de sua experiência Missionária

No ano 2009 a Comunidade Salesiana de Manicoré acolheu a senhorita Sônia Pandeirada Pinho, jovem portuguesa, para fazer sua experiência de voluntariado. Após concluir sua experiência de serviço gratuito profundamente bem vivida, a Sônia retornou ao seu país. Nesta entrevista ela nos fala da importância da vivência do seu voluntariado, confronta-se com a realidade de milhões de jovens europeus dando-lhes conselhos, avalia os pontos marcantes da sua experiência e confessa que a experiência de voluntariado por si vivida foi radical e marcou profundamente sua vida.

1. Como você avalia a sua experiência de Voluntariado em Manicoré na Amazônia Brasileira? Que lições de vida você teve?
A experiência em Manicoré foi muito mais do que eu esperava… aliás, acho que nem é correcto chamar-lhe uma experiência, pois foi muito mais que isso. Foi uma experiência em cidade do interior, experiência com povos ribeirinhos, experiência de vida salesiana e tantas outras. Sinto, sinceramente, que voltei muito mais assertiva em relação às minhas prioridades, mais cautelosa também. E lições de vida, talvez a mais importante é que não importa que possibilidades cada um de nós temos, se nos juntarmos e trabalharmos vamos mesmo fazer algo grande. Em Manicoré assisti à "constituição" de uma comunidade e participei do início de outra… pessoas que juntas fazem a diferença. Na verdade, acho que a palavra que aprendi e que mais marca toda esta experiência é: mutirão.

2. Você acha que vale apena um (a) jovem empregar um ano de sua vida para fazer uma experiência de voluntariado? O que ele ganha com isso?
Sem dúvida! Ganha experiência de vida, ganha visão de mundo. É uma experiência tão enriquecedora que acredito mesmo que deveria fazer parte do percurso de formação de qualquer jovem/jovem adulto.

3. Após ter vivido essa experiência, que idéias mudaram em sua mente a respeito da Amazônia?
Penso que posso mesmo dizer que: todas as que se relaccionam com a vida humana. Infelizmente a ideia que é difundida da Amazônia no exterior resume-se fundamentalmente a questões ambientais e, eventualmente, a questões com reservas indígenas. Ao chegar, deparei-me com essa realidade sim, mas com muito mais. Com toda uma dinâmica social e económica que não eu conhecia nem esperava, esta dinâmica que como é óbvio tem aspectos positivos e negativos. Mas, a verdade é que todos eu desconhecia. Então a Amazônia é, para mim, agora (ainda) mais rica.

4. O que mais lhe tocou participando da vida eclesial, ou seja, a experiência de Igreja da Amazônia pode contribuir para o enriquecimento de outras?
Sim! Voltei há quase 3 meses e é inevitável fazer comparações. Mesmo aqui vou tentando passar um pouco do que vivi aí, mas não é suficiente. Especialmente o sentido de comunidade, a fervorosidade da fé e a ligação entre igreja e vida são valores/atitudes que se perderam na igreja europeia. Vive-se uma religião muito mais "privada" e de "domingo". É incrível perceber a influência (positiva) da Igreja na Amazônia na vida das pessoas, perceber como sai do templo e vai aos igarapés, aos lagos, aos bairros, aos problemas sociais.

5. Cite e comente três valores que mais lhe chamaram atenção do povo onde você trabalhou.
O sentido de comunidade: talvez por ser tão diferente do lugar onde vivo, foi mesmo o que mais me chamou a atenção, tal como a dedicação de alguns jovens às suas comunidades.
A envolvimento dos jovens: em algumas comunidades, alguns jovens passavam todos os sábados entre catequese e ensaios para culto dominical. Apesar de ser necessária uma participação jovem mais activa é já um ponto de partida muito bom!
A acolhida: apesar de não ser imediata, e isso posso dizer que talvez tenha sido um choque cultural, quando se começa a sentir não tem fim. De facto, quando vim embora de Manicoré, e só passei um ano lá, sentia que fazia mesmo parte daquela comunidade, porque me "deixaram" sentir isso.

6. Que conselhos, ao menos três, você daria para um jovem europeu que gostaria de fazer uma experiência semelhante à sua?
Cada pessoa é diferente, mas acho que o mais importante é ir de mente aberta, com humildade para receber uma nova cultura e a aprender a ser dentro desse novo contexto e confiar, acima de tudo em Deus. A relação com Deus é fundamental, na minha própria experiência consegui mesmo identificar que os momentos mais difíceis de ultrapassar coincidiram sempre com um enfraquecimento da minha confiança em e relação com Deus.

7. O que mais você gostaria de dizer e partilhar…
Obrigada!!! Agradeço aos salesianos, em especial à comunidade salesiana de Manicoré, por me terem acolhido durante este tempo e me terem dado oportunidade de viver esta experiência tão rica. A partilhar também, que esta foi uma experiência de voluntariado um pouco mais radical, que para sempre marcará a minha vida, mas que não faz sentido nenhum sem um antes e em especial um depois. Um depois em que temos que dar testemunho com a vida daquilo que vivemos e aprendemos durante a experiência de missão. É esse depois que estou procurando viver agora, com a maior coerência possível. Mas a verdade é que aos pouco me apercebo que regressar é muito mais difícil que partir…

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