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Visita de Conjunto

Reflexões sobre a Visita de Conjunto (2)

Em continuidade com os trabalhos da Visita de Conjunto o dia de hoje foi dedicado a aprofundar o CG 26 a partir da pastoral juvenil, formação, economia e missões. Após alguns textos provocativos fomos divididos em 9 grupos para análise dos temas.
No retorno dos grupos e, após exposição dos trabalhos, abriu-se o debate. Na verdade não foram muitas as intervenções. Alguns temas retornam sempre: ativismo, redução dos salesianos, muitas atividades e obras, pouco tempo para estar com os jovens, etc. Sobressai uma questão importante, ou seja, a complexidade da cultura atual que mexe com valores, com nosso modo de pensar e agir na missão salesiana. Eis, então, o grande problema. O padre Pascual dizia na sua fala que o centro de nossas reflexões nestes dias é a missão, quer dizer, mesmo que os jovens não estejam aqui fisicamente são eles o foco da nossa atenção.

A figura e a missão do diretor foi colocada em pauta. É preciso refletir sobre um novo modelo de governo e de autoridade. Muitas vezes o modo de levar a obra tem a cara de quem é diretor e não o reflexo de um projeto. Pior ainda, quando isto sequer representa o que se espera da missão salesiana. Outra questão é a mudança do pessoal. Muitas trocas são motivadas pelos conflitos entre os salesianos, nem sempre em vista da missão. Faz-se também urgente repensar a concepção do redimensionamento porque quando os salesianos numa obra trabalham individualmente a missão é distorcida. Outra questão é a concepção de liberdade que parece está equivocada. Usa-se o termo como “liberdade egoísta” para fazer o que se quer e não em função da missão salesiana.

Na minha concepção estamos imersos numa “cultura da descontinuidade” que prejudica a eficácia de nossas ações. Somos eficientes, ativos, mesmo sendo cada vez menos, porém, falta-nos a capacidade e a humildade da articulação, de romper com o “gosto” de mudar os projetos e sempre criar algo novo, simplesmente pela novidade. Falta muitas vezes método, continuidade nos governos inspetoriais e nas casas. Há um “espírito” de rompimento, de quebra dos conteúdos, das metodologias e da avaliação dos resultados. O padre Fabio, conselheiro para a PJ e o padre Cereda, formação, apresentaram uma breve exposição na busca de resgatar alguns elementos do plenário. Foram escolhidos dois salesianos para sintetizar os trabalhos do grupo em vista de um melhor aproveitamento das contribuições.

O padre Pascual, na conclusão do debate, nos dizia que as 4 perguntas pretendiam centrar um pouco mais o que vimos ontem. Naturalmente as perguntas estão dirigidas. Estudar Dom Bosco quer dizer hoje aprofundar cientificamente, para tanto, as obras de Braido são fundamentais, sobretudo a última sobre Dom Bosco no tempo das liberdades. Citando um estudioso ele dizia que a pastoral pode causar o cansaço, o tédio, a frustração – que será péssimo para o salesiano. O ideal é que ela produza o bem estar, o prazer de ser e de agir como pastor dos jovens. O campo da cultura, outro tema discutido, é um desafio que pode nos amedrontar, mas é o espaço natural no qual nos movemos. Como educadores somos homens de cultura. O acompanhamento, por outro lado, tem muita afinidade com o redimensionamento, mas isto não quer dizer fechar obras simplesmente, neste aspecto ele fez uma referencia a um texto do padre Vecchi escrito para um encontro de superiores gerais (re-desenhar as presenças: critérios, perspectivas, re-estruturação). Trata-se de re-significar a obra para que seja presença envolvente, que influencie no ambiente. Um texto valioso e ainda atual. É preciso ser estrategista, saber governar, estar no lugar certo na hora certa, não manter estruturas. Portanto, nenhum missionário será enviado hoje para manter uma estrutura. “O que tem que morrer, morrerá”, disse padre Pascual, “o que deve nascer, nascerá”. Também é saber re-colocar-se dentro da complexidade.

Na parte da tarde tivemos uma breve reflexão do ecônomo geral, Irmão Jean Paul Muller, e do conselheiro para as missões, Pe. Vaclav Klement, em vista do trabalho de grupo. O ecônomo geral nos apresentou uma síntese sobre a necessidade de pensar desde a economia o projeto missionário; enquanto o conselheiro para as missões apresentou a fundamentação da missão Ad Gentes nas Constituições, nas várias iniciativas missionárias, em obras escritas para divulgar as missões e a organização missionária nas inspetorias, a jornada missionária salesiana. O Dicastério começou um projeto de formação missionária que a seu tempo será divulgado. Existe também a consulta mundial para as missões.

Como resultado do trabalho de grupo destaco alguns elementos:

– É necessário avaliar a significatividade da obra no território e a capacidade que temos de reestruturá-la no território;
– As inspetorias estão organizando os escritórios de projetos para captação de recursos;
– Cresce a solidariedade econômica inspetorial e as parcerias com instituições que possam colaborar na gestão econômica, sobretudo das obras sociais;
– Cresce a sensibilidade missionária entre os salesianos;
– A profissionalidade no uso de recursos para perder dinheiro é fundamental;

Padre Pascual nos dirigiu umas palavras conclusivas importantes no final do debate que exponho aqui brevemente segundo minhas anotações. Os temas que foram apresentados – economia e missão – tinha como objetivo concretizar os temas pobreza evangélica e novas fronteiras do CG 26. O importante é reconhecer que a pobreza evangélica é um valor da vida religiosa. O salesiano é um trabalhador. Dom Bosco tinha como critério para a idoneidade vocacional salesiana a capacidade de trabalhar. Quem não tinha gosto pelo trabalho não entrava na congregação. Ao lado disto está a temperança. No CG 26 alguns critérios foram bem definidos: 1. Transparência na econômica das casas e inspetorias. Os recursos econômicos que temos são para os pobres; 2. Grande profissionalidade no uso dos recursos para não perder dinheiro; ocupar os espaços ociosos das casas; ética moral para administrar recursos, portanto é necessário administrar bem, com competência. Há uma ameaça real contra a Igreja neste campo econômico. Seria até prudente que as inspetorias tivessem um conselho de administração; 3. Solidariedade inspetorial para evitar a diferença entre as casas – pobres e ricas. Também é urgente criar uma solidariedade com a Congregação. Somos a única que não recebemos nada para o centro da Congregação. O tema da sustentabilidade das obras é fundamental. Trabalhar pelos pobres e com os pobres é uma perspectiva teológica. O segundo tema é a dimensão missionária. A nossa região é a do sonho missionário de Dom Bosco. Aqui temos que continuar cultivando sonhadores e cultivar vocações missionárias. Não se trata de mandar para as missões pessoas com problemas vocacionais. A comunicação social entra no mundo juvenil e precisa ser mais trabalhada.

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