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Terceira síntese do curso de salesianidade

Nossa última semana começou em São Benigno. Ali, na antiga floresta da Casa de Saboia, na região de Canavese, temos um colégio precioso que guarda histórias e a memória de grandes salesianos. Visitamos a tumba de Dom Bosco onde seus rostos mortais ficaram de 1888 até 1929, quando foram transladados para a Basílica de Maria Auxiliadora para sua beatificação. Entramos no quarto onde Dom Bosco teve o famoso sonho dos 10 diamantes (1881) e um dos sonhos missionários (1883). Ali rezamos e pedimos para não deixar de sonhar. Visitar um lugar como este, que teve como primeiro diretor o padre Júlio Barberis e, onde aconteceram vários capítulos gerais, é adentrar numa página da história que nos conecta a Dom Bosco de forma automática e comprometedora.

Em seguida fomos a uma antiga fábrica de papel que Dom Bosco adquiriu para poder manter suas publicações. Ali vimos bem seu espírito empreendedor. Depois, fomos ao maravilhoso santuário de Santo Inácio em Lanzo que surgiu em 1630. Dom Bosco começou a frequentar este lugar em 1842 até 1873 nos famosos retiros espirituais promovidos pelo padre Cafasso para o clero e leigos da diocese de Turim. O edifício está encima da montanha rodeado pelos vales e pelos pequenos povoados. Uma casa que até hoje funciona para retiros e formou centenas de santos. Tive vontade de ficar ali pelo menos um dia inteiro para saborear toda a riqueza espiritual que aqueles ambientes históricos nos proporcionam. Lanzo é, sobretudo a história de uma escola de espiritualidade presbiteral que formou mentalidades novas para a mudança de época daquele momento. Eu me perguntava: o que temos hoje de formação verdadeiramente cristã para abrir nossas mentes para as mudanças que estamos passando? Quais são nossos referenciais de espiritualidade? Quem são nossos mestres de vida? São questões que num tempo formaram mentalidades corajosas, proféticas, místicas para um tempo em profunda mudança.

Descemos a Mornese. Ali foi uma experiência forte de espiritualidade salesiana ao redor de Mazzarello. Primeiramente fomos acolhidos pela nossa guia irmã Mercedez Mateo, fma, na Valponasca. A alegria dela e seu abraço já nos fez sentir que algo verdadeiramente novo ia acontecer ali. Para mim foi um dia de mergulho na vida da menina, da jovem e da líder Mazzarello. Da janela da Valponasca olhei também a cidadezinha distante e a torre da igreja. Não sei dizer exatamente qual foi a emoção, mas não foi uma mera visita turística. Mazzarello ao olhar pela janela passava o olhar sobre todo o povoado, sobre todas as famílias e unia sua vida a de todas elas, chegava até a igreja e ao mistério de Deus ali presente na eucaristia e fazia sua oferta ao Pai de agradecimento e súplica. Por alguns minutos procurei fazer o mesmo e rezei pela inspetoria, pelas famílias e pelos jovens de nossas obras.

Continuamos nosso caminhar até a cidadezinha de Mornese e entramos no colégio, primeira casa geral das FMA. Fomos recebidos com alegria pelas irmãs. Conhecemos os ambientes, a capela, o quarto de Mazarello e tantas outras das primeiras FMA. Escutei atento as explicações históricas e percebi o quanto tem de Deus ali. Como Deus suscitou no coração daquelas primeiras Filhas da Imaculada o carisma salesiano e foi pouco a pouco moldado uma delas para ser a presença materna de Dom Bosco no carisma salesiano. Pensei no silêncio: como ainda conheço pouco Mazzarello e toda esta história de vida. Depois do almoço fomos caminhar pelo povoado e descobri algo totalmente novo pra mim. Mazzarello com suas amigas fizeram também um processo de migração com as primeiras meninas até chegarem a estabilizarem no colégio. Assim como Dom Bosco em Turim passou de um lugar a outro buscando sempre o melhor para os seus jovens, também Mazzarello migrou e sofreu tremendamente incompreensões e calúnias. Chamo ambos itinerários de caminhos da providência. Foi um dia rico e intenso. Queríamos todos ficar um pouco mais em Mornese, aprender mais. À tarde outras surpresas nos esperavam. Fomos a Nizza Monferrato. Dom Bosco comprou um antigo convento e ali sistematizou tudo e chamou de Mornese Mazzarello e as irmãs. Chegaram em 1879 e Mazzarello viveu em Nizza até sua morte em 1881. A casa de Nizza formou grandes salesianas missionárias, dali partiram as primeiras e tantas outras missionárias para América. Tivemos como guia na casa irmã Eugenia, historiadora, simpática e cheia de entusiasmo. Com que carinho as irmãs nos receberam também em Nizza. Desde a porta de entrada até a saída não cessavam de nos saudar e abraçar. Estávamos em casa.

O último dia de nosso percurso foi marcado pela visita a Montemagno, povoado onde nasceu Dom Luís Lasagna e Viarigi, povoado onde nasceu Luís Variava. Ali também tivemos a alegria de visitar a casa das relíquias de Variara e encontrar a pequena comunidade das Filhas dos Sagrados Corações de Jesus e Maria, fundadas por ele em Agua de Dios, Colômbia. A acolhida foi calorosa. Conhecemos um pouco mais da espiritualidade deste filho de Dom Bosco que morreu incompreendido e no exílio, vitima da inveja de tantos. Mais Deus tem sinais muito maiores e santificou este jovem salesiano que morreu apenas com 48 anos.

À tarde caminhamos pelas ruas de Asti visitando suas igrejas medievais e monumentos históricos que falam muito dos tempos de Dom Bosco.
Um longo itinerário que começou no dia 05 de maio. Foi um mergulho, sintetizo assim, no poço de Mornese e uma contemplação do prado do sonho dos nove anos nos Becchi. Entre estes dois símbolos da nossa espiritualidade carismática salesiana há uma história da revelação de Deus que envolve a todos nós no continuar caminhando hoje sem medo e, assim como Dom Bosco na corda bamba saber olhar para frente, para novos horizontes e como Mazzarello, contemplar da janela da Valponasca os jovens e seus desejos e confiar na presença de Deus providente.
Agradeço a meus superiores, começando pelo padre Damásio que me mandou fazer este curso de docência em Quito, depois, ao padre Benjamim que me deixou concluir todas as demais etapas. Este foi seu último pedido a mim, sem mesmo sabermos que seu final estava próximo, ele me disse numa última conversa: termine seu curso de docência em salesianidade e continue nos ajudando a conhecer mais e melhor Dom Bosco… 

Hoje, dia 24, estou vivendo pela segunda vez a experiência da festa de Maria Auxiliadora em Valdocco. Que Maria nos abençoe e proteja.

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