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Ser cristão na fragmentariedade

Ser cristão na fragmentariedade: a exigência de um encontro pessoal com Jesus Cristo.

Os bispos do Brasil assumiram com coragem o apelo de Aparecida para formar discípulos missionários num processo gradual de iniciação cristã (DGAE 2008-2010, n. 88s). Por sua vez, Aparecida reza que a pluralidade marca a mudança atual de época (n.44). Isto significa que as estruturas não podem nos deixar inflexíveis diante dos desafios, mas abertos a uma reestruturação do ser cristão no mundo de hoje. Neste sentido, a iniciação cristã é um processo para gerar o discipulado, ou seja, o anúncio, a celebração a vivência da fé que defina a identidade cristã.

A questão de base se redefine como conversão pastoral e renovação missionária (Dap, 375). Cá entre nós, do jeito que fazemos catequese hoje, preparação para receber sacramentos, não responde a tal processo de mudança. Não se trata, entretanto, de um juízo de valor religioso condenando o que se fez até agora, mas a necessária revisão da catequese que, de fato, implique, num novo jeito de formar o cristão, realmente ressuscitado em Jesus Cristo (DGAE 2008-2010, n. 94).

A questão pode parecer complexa demais para os menos atentos, entretanto, não é bem assim. Não pregamos um abandono do barco, embora seja necessário fechar as brechas e superar as fragilidades do método atual. O cristão hoje é um ser fragmentado, vivendo numa sociedade fragmentada. A tendência é aderir ao imediatismo, a teologia da prosperidade e ao consumo. O perigo de se fechar em fórmulas arcaicas que dificultam a compreensão da consciência e da dignidade cristã (DGAE 2008-2010, n. 88) é um perigo para a presença profética do cristão no mundo. Faz-se urgente, como ensinava São Leão Magno, “tomar consciência da dignidade cristã”.

Qual é, então o desafio? Como levar as pessoas a um contato vivo e pessoal com Jesus Cristo? Como fazê-los mergulhar nas riquezas do Evangelho? Como inicia-los verdadeiramente e eficazmente na vida da comunidade cristã e faze-los participar da vida divina, cuja expressão maior são os sacramentos da iniciação? (CNBB, estudos 97, n. 2). A constatação é a seguinte: “A catequese não prepara simplesmente para este ou aquele sacramento. O sacramento é uma conseqüência de uma adesão à proposta do Reino, vivida na Igreja. Nosso processo de crescimento da fé é permanente; os sacramentos alimentam esse processo e tem conseqüências na vida” (DNC, n. 5). Manter, portanto, sacramentos por sacramentos, numa clara teologia da prosperidade e do imediatismo, não responde a identidade cristã desejada.

A paróquia e as demais Instituições religiosas, portanto, deve assegurar, não apenas sacramentos, mas a iniciação cristã. Isto significa: 1. Iniciar na vida cristã os adultos batizados e não suficientemente evangelizados; 2. Educar na fé as crianças batizadas num processo que as leve a completar sua iniciação cristã; 3. Iniciar os não-batizados. A herança da cristandade, numa sociedade marcada com carências econômicas e de saúde publica, sobretudo na Idade Média, originou uma prática sacramental, no caso do batismo de crianças, como resposta pastoral diante das mortes prematuras, situação que perdurou e entrou na práxis ordinária, tornando assim frágil e incompleta a iniciação cristã. Pela força desta medida mudou-se, inclusive a ordem dos sacramentos que era batismo-confirmação-eucaristia, para batismo-eucaristia-confirmaçao. Neste caso a ordem dos fatores alterou sim o resultado final. O que temos hoje? Um cristão fragilizado sem o processo iniciático de vida cristã.

É também função da paróquia e das Instituições religiosas assegurar o preparo dos pais para que sejam eles os catequistas domésticos. O verdadeiro nó da questão está aqui, pois, superado o atual estado das coisas, onde os pais não acompanham a formação religiosa dos filhos, pelo menos na grande maioria, a paróquia poderá ser uma rede de comunidades catequizadoras, a partir de famílias missionárias. Por conseguinte, não apenas facilitadora de sacramentos. Agora, é preciso saber trabalhar também com adultos para superar uma catequese focada quase exclusivamente no mundo infantil.

A dimensão litúrgica é outra ação a ser recuperada e garantida na iniciação cristã pela paróquia e Instituições religiosas. Saber celebrar sem cair no devocionismo e no sentimentalismo é fundamental para compreender o simbolismo e a ritualidade da liturgia. Uma paróquia que celebra consciente se torna catequizadora porque conduz à profundidade do mistério – mistagogia. O mero oba obra dá evasão aos problemas pessoais e sentimentais do momento, mas não forma discípulos missionários.

O fio condutor da paróquia que anuncia – Querigma – é a base fundamental da iniciação cristã. O anúncio explicito da pessoa, do nome, das obras, dos gestos daquele que é a cabeça da Igreja é a chave da catequese catecumenal (DGAE 2008-2010, n. 91). Não se trata, com bem disse Bem XVI em Aparecida, de aderir a uma idéia, mas encontrar uma pessoa: Jesus Cristo! Este anúncio move as entranhas e nos converte. Uma catequese que não chegue ao querigma não ultrapassa o simplesmente doutrinal, portanto, não converte e não gera experiência de vida. É preciso chegar no sentido profundo do anúncio de Marcos: “O Reino de Deus chegou. Convertei-vos e crede no Evangelho (3,14). Após aderir ao querigma o processo iniciático leva ao discípulo. Então, o processo garante a unidade dos 3 sacramentos: batismo-confirmação-eucaristia, em 4 tempos: 1. Pré-catecumenato; 2. Catecumenato; 3. Purificação; 4. Mistagogia. Os detalhes que dão corpo ao processo engloba os ritos e os gestos inerentes a vivência da fé.

Fique claro que o processo de iniciação cristã não significa o relativismo dos sacramentos, mas o fortalecimento dos mesmos a partir da identidade cristã. Mais do que devotos de Jesus Cristo por motivos sociais, precisamos assegurar discípulos missionários do Senhor ressuscitado. “O discípulo é alguém chamado por Jesus Cristo para ter intimidade com ele” (DGAE 2008-2010, n. 92).

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