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Semana Pedagógica em São Gabriel da Cachoeira

1 – O que os educadores sabem de D. Bosco? O que é necessário saber?
Estas duas perguntas feitas a mim pela senhora Liliany, coordenadora da RSE, pólo Manaus, que animou a semana pedagógica em São Gabriel da Cachoeira entre os dias 9 e 12 /02/2012, me estimularam a escrever estas linhas. Não se trata de um estudo, de uma tese, não tratamos de conceitos definitivos, ao contrário, merecem ser aperfeiçoados com outros olhares. São impressões apressadas que partilho com os que mais sabem sobre esta realidade a fim de elucidar minhas dúvidas e com os que como eu desejam compreender melhor este universo complexo e fascinante, onde Deus revela seu rosto e pele morena, estímulo para ulteriores reflexões.

– 100 anos de presença

Há quase cem anos (1915) os salesianos de Dom Bosco iniciaram as missões no Rio Negro. Obra que em pouco tempo se fez conhecer graças à intrepidez dos primeiros missionários que aqui vieram dispostos a oferecerem aos povos da região as riquezas dos valores cristãos por meio da educação.

Para realizar este objetivo não pouparam energias. Ergueram prédios, iniciaram atividades inovadoras como oficinas, oratórios, catequese, cursos regulares de ensino… O seu modo de agir, podemos ver hoje com maior clareza, graças às novas ciências humanas e antropológicas, possuem limites. Fraquezas que não anulam os princípios basilares sob os quais está assentada esta prática educativa sesquicentenária.

Se o método usado pelo educador nem sempre foi o mais adequado e respeitoso para com os valores da cultura local, de modo algum ficaram prejudicados os princípios metodológicos do sistema preventivo de Dom Bosco: Razão, Religião e Caridade fizeram florescer em meio a controvérsias e alegrias árvores de tutano forte, como vemos em tantos líderes locais ex-alunos de nossas obras.

– Rosto indígena

Nossos educadores indígenas conhecem Dom Bosco, o – amam de todo o coração. Reconhecem com profunda gratidão a herança que os antigos missionários deixaram de riqueza educativa e espiritual as comunidades onde fundaram missões. Fascina verificar como são por eles conhecidos documentos eclesiais que hoje uma boa parte das comunidades se quer sabem que existam.

Esta riqueza, muitas vezes contrasta com o desconforto daqueles que fizeram experiências doloridas nos externatos, lamentam o modo como foram apartados da língua materna e do seio familiar para assimilar os valores da sociedade urbana que lhes era transmitido por meio da disciplina, dos novos hábitos… Esta face da realidade histórica é um convite contínuo à vigilância e a conversão. É o nosso vaso de barro, portando um grande tesouro.

Os missionários seguindo a tendência do período incutiram por meios das estórias sobre Dom Bosco uma imagem vibrante do santo taumaturgo, capaz de gestos geniais e inventiva capacidade de atrair os jovens com jogos, mágicas, palavras amáveis. Esta imagem não pode ser, a meu ver, simplesmente desconsiderada, afinal ela transmite de algum modo um valor de verdade sobre o santo grandioso que é Dom Bosco, ademais, a dimensão afetiva presente nelas iluminam o coração das pessoas frente à dura realidade do sofrimento, das dificuldades pra estudar, da pobreza, orfandade, como vivera D. Bosco. Facilmente nos identificamos com estes fatos, pois dizem respeito também a nossa vida cotidiana.

Entretanto, igualmente verdadeira é a necessidade que temos de aprofundar este conhecimento. Mais do que uma opção individual, o Conhecer Dom Bosco é um apelo institucional, constantemente retomado pelo magistério de nosso Reitor Mor e os documentos da Congregação. Este Conhecer ultrapassar o narrar histórias sobre D. Bosco, para a capacidade de saber contextualizá-las, interpretar e reinterpretar os saberes presentes nestes fatos segundo os valores e as descobertas modernas da psicologia, pedagogia e as diversas ciências humanas e sociais.

Notamos um significativo avanço neste conhecimento motivado pelas leituras que tem chegado as nossas mãos, os vídeos educativos, as partilhas feitas em encontros pedagógicos como este que refletem o perfil educativo de Dom Bosco naquilo que possui de perene, sabendo recolher dos fatos de sua vida as lições necessária à nossa prática, no lugar concreto onde estamos atuando. 

– O protagonismo do educador autóctone 

Se em um primeiro momento predominou em nossas obras uma presença educadora, que não obstante a identificação, o amor para com os povos da região, possuía uma idéia de pessoa e de “avanço” e certos pontos incompatíveis com as verdadeiras aspirações dos nossos destinatários, hoje temos uma situação bem diversa. Vemos cada vez mais leigos, profissionais nos diferentes campos, religiosos (padres, irmãos, irmãs), filhos da região, vocações autóctones que estão imprimindo um rosto todo particular as nossas casas. Deste protagonismo educativo podemos tirar por hora uma conclusão e dois compromissos.

Primeiro: A educação dos missionários não ficou estéril. Ela produziu frutos abundantes de qualidade técnica e espiritual. Mesmo se pensamos poucas vezes nisto, não podemos esquecer que o fato de termos excelentes índices de escolarização na nossa região, sobretudo indígena, em comparação com outras regiões indígenas do país, deve-se em grande medida ao pioneirismo e comprometimento dos educadores cristãos.

Desta rápida conclusão abrem-se dois desafios que são compromissos a serem efetivados. 

Primeiro: sentimos a necessidade de uma séria auto-reflexão sobre os conceitos e práticas educativas que correspondam aos critérios de um ensino de qualidade inculturado, que fale ao coração das novas gerações indígenas valorizando o arcabouço de conhecimentos trazidos de sua etnia, sua língua, seus mitos e história viva e ao mesmo tempo os coloque em condição de dialogar com o mundo globalizado, repleto de valores e contra valores.

Porque auto-reflexão? Sem bases fundamentadas, sem um suporte epistemológico que dê conta de sustentar teoricamente tais práticas, sem uma postura crítica-dialógica, inclusive sobre aquela que formou o atual educador indígena, torna-se impossível um agir educativo coerente com o conceito de inculturação.
Esta falta de conceito claro redunda em práticas frágeis do ponto de vista educativo. Estabelecer um diálogo interativo entre a cultura tradicional e o mundo contemporâneo marcado por mudanças velozes e superficiais é um desafio e uma necessidade urgente. Não imagino uma fórmula que de conta de responder a esta necessidade. Vejo caminhos dialéticos, alguns em andamento, que respondem a este ideal (casas de apoio cultural, associações juvenis, associações de mulheres, algumas escolas Indígenas de nome e de fato…). 

Segundo: Partindo do princípio de que todo conhecimento nos compromete com a realidade percebida, faz-se urgente o despertar do educador para uma prática pessoal com forte identidade indígena, ou seja, cada educador deve ser estimulado a sentir-se responsável pela construção da didática indígena. Bebendo nas fontes tradicionais do saber presente na vida comunitária, este educador, com as ferramentas corretas tornará sua ação prática nova e mesmo que individual ela sempre carregará consigo a dimensão do Nós, porque se referirá ao saber comum e, paulatinamente conquistará outros. O consenso comunitário, quando desprovido desta força critica, pode apresentar soluções genéricas, às vezes de pouca profundidade metodológica, soluções paliativas. Fortalecer a prática pessoal pela auto-reflexão poderá ser valiosa ajuda na busca comunitária de caminhos seguros.
As tentativas de sistematizar a sabedoria dos antigos, os valores que não conseguimos traduzir em outra língua sem perder algo, tomarão forma por meio desta experiência original do educador indígena. Certamente os grandes pensadores da educação que conhecemos poderão agregar valores, apontar semelhanças e sussurrar conselhos, mas em última palavra, serão as intuições personalizadas do educador autóctone que darão corpo ao ensino inculturado.  

Hoje, de posse de novos conhecimentos das ciências sociais e cultural local, faz-se necessário reinterpretar tais princípios. Inculturar o carisma salesiano na região é um apelo constante a educadores, gestores, salesianos e leigos, como condição fundamental para a significatividade da nossa presença e do carisma de Dom Bosco na Amazônia. 

Com Dom Bosco, há cem anos, amando e servindo os Povos da Amazônia, remando com Maria para águas mais profundas!

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