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Seis meses do bispo de Roma: papa Francisco

Realmente o tempo vai acelerado. Passaram-se seis meses do inicio do serviço petrino do papa Francisco. Vivianos tempos escuros. A renúncia de Bento XVI nos colocou na noite escura da Igreja. A barca de Pedro, como ele mesmo disse, parecia naufragar. Contudo, não naufragou. Jesus estava ali mais perto que nunca, mais atente que nunca, mais amigo que nunca. Ele dormia sim, mas em profunda oração.

Surgiu da noite escura um cardeal desconhecido, pelo menos para mim. Um cardeal que não sabíamos nada sobre seus hábitos e governo na Argentina. Ele nos surpreendeu enormemente. Começou a peregrinar em meio ao povo de Deus. Demonstrou uma proximidade paternal, até posso dizer, maternal. Ele acolhe, beija, abraça com ternura e sem medo do povo. Sua presença é simples, serena, alegre. Realmente Francisco está bem no meio do povo. Não é uma presença meramente protocolar. Ele está no meio de nós como um amigo.

Sua passagem pelo Brasil marcou a todos. Cristãos e não cristãos, católicos e protestantes. Entrou na vida do povo brasileiro numa hora difícil. Estávamos assustados com a onda de protestos. A cada dia uma noticia sensacionalista. A cada hora um grupo de cem, hum Milão de pessoas saiam às ruas pedindo mudanças estruturais. O governo estava atônito e sem saber o que fazer. A presidenta Dilma correu para a TV e fez os discursos de praxe. Tentou acalmar os ânimos. Chamou as lideranças, muitas delas, sem rosto. Promessas foram feitas. Os políticos ficaram espantados, alguns não deram a mínima bola e outros aproveitaram para iniciar as campanhas, mas as massas das ruas não queriam saber de políticos nem de sindicatos oportunistas. O povo jovem nas ruas deixou os computadores em casa e manifestaram a própria insatisfação.

Estávamos com medo de que a presença do papa fosse a ocasião de aumentar as manifestações e a visita ser um grande fiasco. Porém, o papa deixou claro que as manifestações para melhorias justas no país eram justas e necessárias. Não demonstrou medo e pediu que o deixasse livre para chegar ao povo e estar com ele como amigo e pai. A sorte foi lançada. Francisco chegou e causou um impacto enorme. Disse que não trazia na bagagem nem ouro nem prata. Disse também que a juventude era a janela por onde entra o novo na sociedade e na Igreja. Sem fazer um discurso político como era esperado tocou no coração das massas nas ruas. Legitimou suas reivindicações e se fez porta-voz das mudanças que todos queríamos.

A forma como Francisco está enfrentando os problemas intereclesiais no Vaticano manifesta sua vontade de uma Igreja transparente, sem rugas e mancha, uma Igreja mãe, imagem que ele mais gosta da Igreja: “A Igreja é uma mãe que gera filhos e filhas”, disse ele na audiência de 11 de outubro. Uma mãe tem defeitos, mas os filhos devem respeitá-la e amá-la porque ela é insubstituível. Francisco não tem medo de falar sobre temas polêmicos como homossexuais, da presença da mulher na Igreja, dos escândalos de pedofilia e econômicos. Nada disto o amedronta. Ele quer uma purificação desta noite escura. Saiu do isolamento dos apartamentos pontifícios e se tornou um irmão entre irmãos, “gosto de gente”, respondeu ele a um jovem que perguntou por que passou a morar na casa Santa marta onde preside a eucaristia diária e faz as refeições com os numerosos hóspedes e não quer luxo nem o glamour que o poder pode dar. Francisco é o servo dos pobres. Chora com os que choram, lamenta a onda do provisório e do descartável que ameaça a vida familiar, os religiosos, os padres, os valores cristãos, as comunidades. Quer uma Igreja missionária e exortou os bispos latino-americanos a não esquecerem Aparecida. Pediu aos Núncios Apostólicos e aos bispos que os padres carreiristas, aqueles que têm psicologia de príncipes, os intelectuais e os que sonham com dioceses importantes não sejam indicados ao episcopado. Ele quer padres e bispos com cheio de povo, assim como o pastor tem cheiro de suas ovelhas.

Seis meses que nos revelam um homem empreendedor, corajoso, livre, sereno e com espírito de comunhão e participação. Um papa que responde ao questionamento de João Paulo II: “Como deveria ser o ministério de Pedro?” Ai está Pedro em ação. Com toda a dignidade humana e pastoral, aberto ao mundo e servo de todos. O bispo de Roma é pai, amigo, mestre, servo e nos confirma na fé.

Pe. João Mendonça, sdb

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