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Quem são os novos jovens hoje?

Quem são os novos jovens?

A resposta a esta pergunta pode ser óbvia. Entretanto, nem tudo que é tão óbvio é o correto. Uma provocação a todos nós, filhos de Dom Bosco, nesta festa da sua passagem para o céu, vem do documento de Aparecida 402. Trata-se do saber descobrir os rostos da pobreza, os novos sujeitos sociais, os novos excluídos. São as novas fronteiras juvenis da nossa ação missionária. Mas, onde estão estes novos sujeitos jovens? Um pouco de história contextualizada pode nos ajudar nesta reflexão.

No ano de 1841, dom Bosco é ordenado padre na crescente e nobre cidade de Turim. Naquela época a cidade pertencia à nobreza da casa de Sabóia. Suas ruas e praças eram feitas para eles. Turim era uma cidade belíssima, como, aliás, ainda é hoje. Entretanto, as periferias do Rio Pó e dos Molinos Dora, região pantanosas, estava cheia de migrantes jovens, verdadeiros pobres, vitimados por doenças, explorados por gangues, patrões e condenados a terminar seus dias esquecidos nas prisões de Turim ou na forca. O cenário era lamentável.

O jovem padre Bosco, recém saído do seminário de Chieri, não conhecia esta triste realidade. Sua origem era camponesa, pobre, não miserável. Começou visitando as prisões de Turim e encontrou adolescentes e jovens misturados com adultos em celas imundas, úmidas e sem o mínimo de higiene. O padre Bosco ficou horrorizado com tamanha situação desumana. Andando pelas ruas e praças da cidade encontrou também meninos e jovens sujos, maltrapilhos, famintos, violentos, expostos a todo tipo de exploração. Era uma torre de Babel porque eles falavam dialetos e não se entendiam. Aqueles garotos eram limpadores de chaminés, carregadores de pedra, vendedores ambulantes, ladrões, assassinos. O contraste entre a nobreza turinesa e a miséria daqueles garotos era gritante.

Voltemos, então, ao nosso contexto em mudança do ano 2011 (Dap 44). O cenário também não é nada consolador. Os adolescentes e jovens excluídos estão nos semáforos vendendo água, limpando para brisas, fazendo malabarismos, assaltando. Nas periferias eles sobrevivem nos guetos com medo de ficarem desconectados do mundo da velocidade tecnológica, medo de sobrar porque não tem chance para ganhar a experiência que o mercado exige, medo de morrer nas bocas de fumo, nos assaltos e de não terem o kit para entrar e sair de algumas ruas do bairro. Além das prisões que ainda hoje deixam jovens esquecidos e a mercê das gangues do sistema prisional; os guetos também se tornam prisões a céu aberto.

Os rostos dos adolescentes e jovens que desfilam diante de nossos olhos são tantos que, com certeza, temos dificuldades em discernir quais são os mais abandonados e órfãos. Os adolescentes e jovens são plurais, a linguagem é variável, as músicas e as roupas identificam as gangues. Há uma sub-cultura juvenil que avança e nos confunde a todos. É um desafio para os filhos de dom Bosco. É preciso, então, pensar para agir com mais eficácia. Estes rostos se perfilam nos guetos, nas bocas de fumo, nos portadores de DST/AIDS, nos migrantes, nos indígenas destribalizados, nos órfãos de pais e mães vivos, nos prostitutos de grife de luxo, nos indiferentes a proposta religiosa, nos drogados, nos muitos desempregados.

Dom Bosco também ficaria horrorizado hoje. Nem ouso perguntar o que ele faria porque tenho certeza que se lançaria sem preconceitos para atender os mais abandonados entre os abandonados. Como no seu tempo ele envolveria muitas pessoas. Nós, filhos de dom Bosco, vivemos nesta época que se transforma. O caramanchão de rosas é um desafio que precisamos ter a coragem de percorrer com dom Bosco.

Jesus, certa vez, olhou a multidão que o cercava com seus doentes, endemoniados e famintos e consolou a todos com o famoso discurso da montanha (Mt 5,1-12). Hoje gostaria de me apropriar das palavras do Senhor para homenagear dom Bosco:

FeliZ de ti camponês das colinas dos Becchi que desde a tua pobreza soubeste doar a vida pelos mais abandonados confiando na presença libertadora do Reino dos Céus;

Feliz de ti Joãozinho que choraste ao receber a missão aos nove anos, ao perder o pai, o amigo Calosso e, mesmo assim, não perdeste a esperança, por isso foste consolado;

Feliz de ti padre Bosco que foste manso e humilde no tratamento dos adolescentes e jovens excluídos e sofridos, porque recebeste o prêmio da santidade;
Feliz de ti dom Bosco que tiveste fome e sede da verdade, da justiça social, do amor incondicional aos jovens porque foste saciado com uma multidão de filhos e filhas seguidores do teu carisma;

Feliz de ti dom Bosco do confessionário porque manifestaste a tantos adolescentes e jovens a misericórdia de Deus com a graça de uma vida plena;

Feliz de ti São João Bosco porque tiveste o coração puro, sem mancha e sem maldades, cheio do amor de Deus;

Feliz de ti apóstolo dos jovens que promoveste a paz com uma proposta educativa preventiva e evangelizadora, capaz de manifestar a paternidade de Deus;

Feliz de ti dom Bosco que foste perseguido até pelos membros da Igreja, pelos políticos e seguidores de outras crenças, por causa da crença no potencial dos jovens, mas não perdeste a fé na providência de Deus;

Feliz de ti don Bosco caluniado, perseguido, difamado por causa do Evangelho, mas sempre alegre, otimista, esperançoso;

Felizes são os filhos de dom Bosco que hoje lutam para manter acessa a chama da educação, da esperança, do amor, da presença educativa e da santidade ao povo, sobretudo aos adolescentes e jovens;

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