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Pensar a radicalidade evangélica hoje

Manaus/AM – O próximo Capítulo Geral 27 se debruçará sobre a questão da Radicalidade Evangéliga na fidelidade dinâmica – criativa. Quando me deparei com o tema pensei: seremos capazes de avançar na reflexão ou ficaremos nas normas estabelecidas? O tema é ousado, sem sombra de dúvida. Os tempos atuais mudam os paradigmas rapidamente (DAp, n. 44). Revigorar a identidade carismática salesiana é um desafio que pode comprometer com um pessimismo, nostalgia ou intrépida mudança à luz das fontes carismáticas.

São 4 as áreas de atenção e reflexão:

1. A graça da unidade: a consagração salesiana e o projeto pessoal de vida; 2. Necessária experiência espiritual no discipulado de Jesus pobre, casto e obediente que não cessa de compreender o Pai; 3. Construir fraternidade nas comunidades; 4. Dedicação generosa à missão juvenil-popular (Cf. Atos do Conselho Geral, 413, p. 5). Cada área desta merece uma reflexão e, em seguida, uma busca de unidade do particular no todo. Porque as congruências abundam. Quando se pensa em consagração, muitos a entendem como um ato isolado dentro da missão, uma vida privada não compartilhada, portanto, o discipulado, a fraternidade e a missão propriamente dita são apenas consequências do particular; enquanto, no meu modo de ver é um todo, brotam da mesma essência e, enriquecem a radicalidade evangélica.

Por conseguinte, neste Capitulo não vamos buscar mais princípios evangélicos para avida consagrada salesiana. Este não é o foco. Aliás, já os temos. Então, qual é o foco? Trata-se, segundo minha leitura, do ato de crer subjetivo pessoal e comunitário da vivência da consagração. Entra fortemente em jogo nas questões da pós-modernidade, quer dizer, testemunho e narrativa. A preocupação é “reforçar nossa identidade carismática” (ACG 413, p. 6). Isto significa que algo não funciona nesta engrenagem simbólica. Falta narrativa do chamado recebido. O religioso salesiano parece ter perdido a capacidade de repensar o carisma, de narrá-lo aos jovens e, sobretudo ser uma testemunha visível e crível. Nem ele acredita mais no que é nem os outros o conseguem ver como tal. Um dilema que se associa ao tema da lealdade, quer dizer, vive-se a consagração desfrutando um pouco de tudo, sem renunciar nada, mas não se é fiel porque a fidelidade supõe renuncia, sacrifício, alegria, despojamento, pertença, dedicação a um projeto comum, contudo, não é apenas um mero cumprimento do dever porque foge de toda responsabilidade. Quando a vida consagrada se torna apenas um trabalho compulsivo –missão – todo o resto fica comprometido. Enquanto consagrados não somos pessoas que exercem uma missão, mas comunidades em serviço.

Neste sentido, a consagração é uma contracultura. Isto suscita nos religiosos um certo mal-estar. Por exemplo: como conviver hoje na comunidade com o individualismo e o empenho na fraternidade? Como criticar as falácias do isolamento? Tenha-se em conta que o individualismo contemporâneo é egoísmo autodestruidor, rompimento de relações e destruição pessoal. É cada vez mais difícil manter compromissos de reciprocidade. É tão contundente a busca de realização pessoal que já não sabemos com quem contar. As pessoas já não conseguem encontrar um sentido comum para viver em grupo, não sabem compartilhar os símbolos, os rituais e os gestos da vida fraterna. Por conseguinte cada religioso cria ritos próprios – uma verdadeira glossolalia dentro da fraternidade, ou seja, ninguém se entende.

A radicalidade evangélica precisa encarar a questão em três vertentes: sua organicidade, quer dizer, ser fraternidade para um serviço; participação, ou seja, saber criar sinergia com outras forças apostólicas dentro e fora do Instituto; discernimento, isto significa entender o que Deus quer nos sinais que ele apresenta no cotidiano tanto do ponto de vista conceitual como estimativo, isto envolve cabeça e coração.
Ser consagrado nos dias atuais exige a capacidade de mudar sem perder a essencialidade.

Pe. João Mendonça, sdb.

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