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Oratório Festivo Salesiano: sem portas, sem paredes e sem distâncias

Toda a vida de Dom Bosco é marcada pela assistência-presença; dimensão essa que tem seu fundamento na primeira aliança que apresenta a proximidade de Deus Pai de cada um de seus filhos. Estar presente, vai muito além de um simples encontro de pátio. O pátio é o lugar por excelência para se conhecer os jovens e estabelecer familiaridade. Somente a paixão educativa pode tirar o educador salesiano de seu espaço confortável (ar-condicionado, redes sociais, passeios com amigos etc…) para estar com aqueles pelo qual se consagrou.

O desejo de estar com os jovens é sinal de paixão apostólica e fidelidade ao carisma salesiano; o oposto pode significar traição daquilo que foi tão caro ao Amigo dos jovens. O nosso encontro com Cristo passa pela nossa relação com os jovens. O desejo que é essa força dinamizadora nos impele a buscar aquilo que amamos, querermos aquilo que está ausente: a pessoa do jovem.

É possível que ao longo do tempo, tenhamos praticado pouco ou quase nada daquilo que foi a paixão de Dom Bosco ao longo de toda a sua vida: viver em nossos oratórios sem portas e sem paredes. Ainda hoje o pátio deve servir para o encontro entre amigos (salesianos e jovens). Muitas vezes nossas estruturas parecem se  sobrepor a essa realidade.

E o sinal visível de que os pátios de nossos oratórios muitas vezes se tornaram apenas uma estrutura burocrática demais é a constatação da ausência dos salesianos nos mesmos. O que vejo e sinto hoje. Dom Bosco nos alertou, em um sonho em 1884, quando em Roma se encontrava para conseguir a aprovação de sua obra. “O poema do amor educativo” (A Carta de Roma), assim definida por Pedro Braido, nos leva a perceber quais as consequências da não-presença entre os jovens.

Viver o carisma salesiano de forma autêntica exige que os educadores estejam entre os jovens e com os jovens e que sejam presença significava. Não é incomum encontrar salesianos que não sabem mais participar da vida do pátio. E, quando presentes, é apenas para marcar ponto ou ilustrar as redes sociais, mas sem o desejo do encontro, sem familiaridade.

Consoante Dom Bosco, “os jovens merecem e tem o direito de saber que são amados”, mas… como irão perceber esse amor se muitas vezes estamos longe deles? Para muitos salesianos o pátio deixou de ser referência de sua dimensão pastoral, e, muitas vezes, é substituído por necessidades criadas.  Não bastam nossos belos discursos sobre os jovens, é preciso que manifestemos desejo pelas coisas que eles gostam para que eles se interessem por Aquele que amamos.

Dom Bosco em sua vida de “peregrino” para reunir seus jovens não tinha um espaço fixo para seus encontros, mas vagava em busca de um espaço que favorecesse o encontro. Hoje, pelo contrário, temos espaços e estruturas que nem sempre são colocados a disposição dos nossos destinatários por questões burocráticas. Talvez tenhamos esquecido o que dizia Dom Bosco: “o que temos é dos jovens”.

Não é incomum perceber a ausência de diretores e padres em nossos oratórios. E por que tal realidade?. É simples, poucos conseguem sacrificar seu momento de descanso.

Trabalho em Oratório desde 2006, e mesmo não querendo acreditar no conceito que minha mente formulou, às vezes, digo para mim mesmo: “O Oratório é passa tempo de formando em formação inicial” . Mas por que isso? Deve ser porque durante esses sete anos rara às vezes vi um padre no pátio. E quando presente era apenas para marcar presença, porque era diretor e somente por isso.

Não nos enganemos, só é possível responder às necessidades dos nossos destinatários quando nossa presença entre eles for significativa; do contrário, vamos oferecer soluções líquidas, mas se nossa solução é líquida, não precisamos perder nosso tempo; a sociedade pode fazer bem melhor.

É possível que Dom Bosco esteja dizendo hoje para cada salesiano: “sonhei com o Oratório de outrora…vamos voltar aos dias do amor, aos dias do pai, do amigo, do irmão; e voltará a paz do Senhor numa só alma, num só coração”.

É possível que a diminuição das vocações seja também reflexo de nossa ausência entre os jovens. Um dia, conversando com um salesiano, ele aludia: “Os padres do pátio estão acabando”. Se esquecermos que o pátio é nosso lugar primeiro de encontro com os jovens, é possível que nossa consagração a Deus para servir os jovens não esteja sendo vivida em plenitude. Se os jovens estão distantes de nossos olhos, é possível que também estejam longe de nossos corações.

Mesmo que muitos acreditem e defendam que o Oratório deve ser vivido ao longo da semana em todas as atividades de uma casa salesiana e que aos finais de semana pode ser facultativo, não podemos esquecer que em 1885 o santo afirmou: “vejo sempre mais claramente o futuro glorioso preparado para nossa congregação. Mas tenha-se como base que nosso escopo principal são os oratórios festivos”. Talvez tenhamos esquecido que as demais obras salesianas não são mais que desdobramento dessa grande intuição de Dom Bosco.

Quando Dom Bosco intui essa forma pedagógica, com base na experiência de São Felipe Neri e são Carlos Borromeu, que acolhiam os meninos somente em  uma determinada hora do dia, ele propõe ao invés, ocupar os meninos o dia inteiro nos domingos e festas de guardas. O que a meu ver se opõe a ideia de que minha presença oratoriana seja facultativa nos finais de semana.

É mister que reflitamos que, sem nossa presença física entre os jovens, não é possível propor a vida salesiana e muito menos viver em plenitude nossa vocação de apóstolos do jovens. Não podemos esquecer que nossa vocação é marcada pela predileção pelos jovens.

Embora muitas de nossas casas vibrem pouco ou quase nada com a presença dos jovens, devido muitas de nossas estruturas se terem tornadas estreitas demais, somos chamados a renovar em nós o desejo de sermos pai, amigo e irmão para os jovens e assim viver em plenitude o Oratório festivo Salesiano sem portas, sem paredes e sem distâncias.

S. Leomar Lima,
assistente na comunidade do Pré-Noviciado/CESAF

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