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Nota de Falecimento: Dom José Song Sui-Wan

Dom Jose Song Sui Wang

Faleceu na tarde de hoje, dia 15 de novembro, em Campinas, aos 71 anos, Dom José Song Sui-Wan (SDB), bispo emérito de São Gabriel da Cachoeira, Amazonas.

O corpo será velado a partir das 6h00 de amanhã, dia 16 de novembro, na Igreja Matriz Nossa Senhora Auxiliadora (Liceu), em Campinas. Serão celebradas Missa de Corpo Presente às 7h00 e a Missa Exequial às 11h00. O sepultamento, às 14h30, será no Jazigo dos Salesianos no Cemitério da Saudade em Campinas.

Unimo-nos em oração à família salesiana e à Diocese de São Gabriel da Cachoeira neste momento de dor, certos de que Deus acolhe seu servo Dom José Song Sui-Wan em seus braços misericordiosos.

Setor Imprensa
Arquidiocese de Campinas

Breve Biografia

Dom José Song nasceu em Xangai, em 1941, numa família católica da China. Com a chegada dos comunistas ao poder, em 1949, e a consequente perseguição religiosa, sua família refugiou-se em Hong Kong. Foi na ilha, então dominada pelos britânicos, que ele cursou o seminário. Temendo a devolução de Hong Kong ao governo chinês, o pai achou melhor ir para o maior país católico do mundo, levando a mulher e os seis filhos. A viagem, num navio de carga, durou dois meses e meio. “No Rio, em 1959, tivemos a primeira imagem do Brasil: o Cristo Redentor, de braços abertos. Sentimos que seríamos bem acolhidos.”

A família se instalou na cidade de São Paulo. Dom Song aprendeu português num seminário salesiano. Recebeu a ordenação sacerdotal em 1971 e passou por Araras, São Carlos, Campinas, Lorena, Cruzeiro e Lavrinhas, cidades do interior paulista, trabalhando como pároco ou diretor de faculdades e colégios católicos. Nunca mais voltou ao seu país. Nos estudos foi Mestre em Filosofia e em Teologia, pela Pontifícia Universidade Salesiana, de Roma. Além do chinês e alguns de seus dialetos, dominava diversas línguas ocidentais: italiano, português, espanhol, inglês, francês, alemão, latim e grego.

Foi ordenado bispo em 2002 e logo enviado para São Gabriel da Cachoeira. No início, ficou assustado com a missão. Sob sua responsabilidade está uma diocese maior que o Estado de Santa Catarina. Teve de acostumar-se a uma região onde, na maioria das vezes, só chega aos fiéis por rio. A aldeia mais próxima fica a quatro horas de barco. Algumas viagens duram duas semanas.

Nas visitas, celebrava missas, casamentos, batizados e crismas e fazia mágicas. Visitava casa por casa, coisa rara para um bispo. Visitou pessoalmente mais de 5,7 mil famílias. “Não forço nada. Os índios são muito religiosos e participam por conta própria”, esclarece. Outra forma de evangelização é a TV – Dom Song tem um programa na retransmissora local da Rede Vida.

Em 2009 teve seu pedido de renúncia acolhido pelo Papa, tornando-se bispo emérito, para que pudesse cuidar da saúde e passou a residir na Comunidade Salesiana de Campinas. Após longo cuidado com a saúde faleceu na tarde de 15 de novembro de 2012. Definia-se como um homem “muito alegre”.

Entrevista concedida ao Jornal MISSÃO JOVEM, em 2005

Um chinês “Brasileiro”

O mágico e alegre pastor do Amazonas, Dom José Song Sui Wan, conta como veio para o Brasil e sua missão na maior diocese do mundo.

Nasci em Xangai, na China, de família católica de 5 gerações. Tenho cinco irmãos. Meu pai era professor da Universidade Católica de Xangai, dirigida pelos jesuítas. Eu mesmo estudei num colégio jesuíta.

Vocês poderiam me perguntar: Por que saíram fugindo de Xangai? Pela liberdade religiosa que os comunistas não permitiam.

Uma noite, antes do nosso terço e oração da noite, meu pai nos disse: “Vamos para Hong Kong, colônia inglesa. Como isso não vai ser fácil, vamos começar uma novena a Nossa Senhora para pedir o passaporte”. E o passaporte saiu no nono dia.

Destino: Brasil

Esta decisão comportou para os meus pais a renúncia a todos os seus bens materiais, que não eram poucos. Em Hong Kong, meu pai continuou suas atividades com os jesuítas, traduzindo livros, e eu continuei sendo aluno deles. Meu sonho era ser jesuíta, mas tive que mudar de rumo, pois fiquei doente e tive que parar os estudos. No ano seguinte, mudei para uma escola salesiana e Dom Bosco me fisgou e acabei entrando num seminário salesiano, onde fiquei por 4 anos.

Mas meu pai, que enxergava longe, dizia: “Hong Kong deixará de ser colônia inglesa, é melhor mudarmos para um país católico”.

E escolheu o Brasil. Naquele ano, 1959, eu preferia ter ficado em Hong Kong.

E disse a razão disso ao meu pai: “Meu ideal é ser missionário na China e um dia voltar para Xangai”.

Deus me ajudou a resolver o dilema, enviando um mensageiro.

Destino: Amazonas

Naquela ocasião, eu pedi uma audiência a Dom Fedrigotti, vice-geral da Congregação Salesiana: “Senhor padre, meus pais estão indo para o Brasil, mas eu quero ficar na China. O que eu faço?”. “Eh, meu filho, siga a família. Vá ao Brasil!”.

Foi o que aconteceu, e vim para São Paulo. Já no noviciado, fiz um pedido aos superiores da Itália: “Quero ser missionário no Amazonas”.

Mas o pedido foi arquivado por 40 anos. O que é mais interessante é que o Espírito Santo, há quase três anos, cochilou e eu fiquei bispo de São Gabriel da Cachoeira, Rio Negro, Amazonas, a maior diocese do mundo, com uma extensão de 300 mil km2.

Dom Bosco chinês

O carisma da Companhia de Jesus me ajuda muito nesta missão pelos rios do Amazonas. E o engraçado, pela lógica, é que eu deveria ser jesuíta mesmo. Meu pai sempre trabalhou com os jesuítas e eu sempre fui aluno deles. Por que então acabei ficando salesiano? Porque este foi o chamado de Deus.

Quando conheci Dom Bosco, logo me identifiquei com ele e disse a Deus: “Quero ser um Dom Bosco com cara de chinês para as crianças, os jovens e o povo”.

E Deus atendeu o meu pedido. Certamente a escola salesiana de Hong Kong foi um dos motivos. Vi naquela casa um modo simpático de ser cristão. Senti nela um clima atraente de paz e espírito encantador de família. Além disso, meu nome, Sui Wan, em chinês, significa “nuvem feliz”. Sou muito alegre. Gosto de música, toco instrumentos, faço mágicas, conto histórias, adoro brincadeiras e sempre pratiquei esporte.

O Papa riu

Em 2002, como bispo novo, participei da visita “ad limina” ao papa e, na ocasião, durante o almoço com ele, fiz uma coisa um pouco estranha. Como o secretário nos preveniu que o papa estava cansado e doente, nos pediu para animá-lo. Não tive dúvida. Improvisei três mágicas para o papa e toquei, numa gaitinha de 4 furos, o hino pontifício. O papa gostou, riu bastante, aplaudiu e sempre pedia bis. Este foi, sem dúvida, um dos dias mais felizes de minha vida: fiz o papa rir!

Chinês ocidental

Não canso de agradecer a Deus pela graça de ter-me oferecido tantas oportunidades para crescer. De fato, carrego comigo muitas riquezas e muitos valores do Oriente, mas, desde pequeno, fui adquirindo através da religião outros valores do Ocidente. Xangai, Hong Kong, São Paulo e São Gabriel foram quatro pontos cardeais que me proporcionaram uma integração muito harmoniosa.

A “sabedoria” da Ásia e a “ciência” da América provocaram em mim um perfeito casamento. Antes de vir para cá, eu sempre me oferecia como voluntário. Nas férias escolares, desde 1988, trabalhei em diversos setores desta diocese.

Dessa forma, o famoso “choque cultural” não foi tão grande e, ao tomar posse na diocese em 2002, brincando, dizia ao povo: “Como podem ver, entre nós não há muita diferença. Olhem para meus olhos e os seus, não somos parentes?”.

Dom de comunicar

É claro que não é fácil trabalhar em nossa Diocese de São Gabriel, com 23 etnias e 23 línguas diversas.

Sempre recordo os dois episódios da Bíblia: Torre de Babel e Pentecostes.

Com o orgulho entrou a confusão das línguas; mas com o amor começou a compreensão, a harmonia e a paz. Quando não sou compreendido e não compreendo o que o povo fala, uso então minhas brincadeiras, mágicas e músicas, que têm linguagem universal para fazer o povo feliz.

O provérbio chinês tem muita razão: “Antes de abrir uma loja, aprenda a sorrir”.

Será minha impressão ou é verdade que às vezes nós, que pregamos a ressurreição de Jesus e a esperança do Amor, carregamos um rosto carregado, sério? Como posso “vender” a felicidade de Deus se eu não sei sorrir? Está na hora de fazer uma grande “mudança de hábito”, não acham?

A missão no Amazonas

Pretendo continuar trabalhando aqui com meus ouvidos, olhos e coração. Por isso, considero essenciais as visitas pastorais a todas as comunidades paroquiais. Realmente, as distâncias quilométricas me assustam. No há estradas de rodagem para visitar as comunidades: tudo pelo rio. Nessas viagens, sempre me lembro dos filmes de aventura a que assisti, tipo Indiana Jones. Cachoeiras, barcos e cobras já fazem parte do meu dia-a-dia.

Considero importante também as visitas domiciliares que sempre realizo aos domingos. Casa por casa, rua por rua, vou vasculhando a comunidade. Converso com o povo, ouço seus anseios, brinco com os velhinhos, abençôo os doentes e as famílias.

Alguns números de mágicas fazem parte também do programa dessas visitas. Convicto de não ser o salvador da pátria, dou continuidade aos trabalhos iniciados pelos meus predecessores. Naturalmente, inculturação, formação de lideranças, vocação, catequese de adultos e famílias são as nossas preocupações básicas.

Dom José Song Sui Wan, sdb 
Bispo de São Gabriel da Cachoeira/AM

Fonte: Jornal MISSÃO JOVEM, n.º 201, Junho de 2005, página 3.

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