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No contexto do Dia Mundial das Missões

Primeiramente desejo manifestar o meu contentamento por esta manhã e apresentar o meu vivo agradecimento a quantos se dedicaram para concretizar esta outorga da cidadania honorária à minha pessoa; sendo autor do projeto da mesma o Benemérito Deputado Sabá Reis, 1º Secretário da ALEAM e líder do PR.

Sei muito bem que este é um gesto de reconhecimento não somente ao subscrito, mas também à Congregação Salesiana (salesianos e irmãs salesianas) que desenvolvem amplo trabalho missionário educativo em toda a Região da Amazônia e, particularmente neste Estado do Amazonas, onde tem implantado suas raízes a partir de 1915 por expressa solicitação das autoridades religiosas e civis, visando mais a região do Rio Negro e tendo como ponto de referência, aqui em Manaus, o Colégio D. Bosco.

Sinto, portanto, o dever de fazer a memória daqueles heróis autênticos, merecedores de igual reconhecimento e que desgastaram literalmente as suas vidas no mesmo árduo trabalho em que vim encontrar-me por dezenas de anos, sempre atinando por aquele bem comum, cujo nome se traduz em Educação, Formação, Crescimento e desenvolvimento humano, civil, patriótico, moral e religioso.

Memorial de Vida e Missão

Quando ainda garoto no seminário menor onde já me encontrava ouvi, certa vez, um veterano missionário falar das missões salesianas do Rio Negro (AM). Contava das mil e umas dificuldades que lá existiam, principalmente das grandes distâncias, das febres maláricas… Das mortes. De fato, Mons. Lorenzo Giordano e o Padre João Bálzola, os iniciadores daquelas missões, morreram em sítios à margem do rio. E concluía a sua palestra dizendo mais ou menos assim:

"_ Mas estas coisas não são para vocês, pois são novos e lá se precisa de gente robusta e de muita coragem." E eu, sem pensar duas vezes, disse comigo mesmo:

"_ Os outros todos não irão, mas eu irei."
Passaram-se os anos, a guerra destruidora, terminara o meu 22 grau, estava fazendo um estágio, quando veio como um raio em céu sereno um chamado com indicação para as missões do Rio Negro, no Brasil. O HOMEM DE CIMA tinha levado a sério a minha determinação tomada tão só comigo mesmo e nunca revelada a ninguém.

Quando da minha chegada ao Brasil nem todas as boas-vindas tiveram o mesmo tom; entre outras, um Reverendo nada polido me apostrofou rudemente:

"_ Que veio fazer você aqui no Brasil… Porque não ficou na Itália para converter os seus comunistas?" A estocada era muito forte, mas precisava de revide.

Respondi calmo: "_ Não vim tirar o lugar de ninguém. Irei para o Amazonas ajudar os meus irmãos salesianos missionários do Rio Negro". Ah! Então está bem, concluiu o dito cujo. É que naquele tempo, na mentalidade da grande maioria, o Amazonas (e mais ainda, o Rio Negro) era o Cafundó onde Judas perdera as botas.

José me perguntava outros, como Padre onde tu vais parar? No Rio Negro do Amazonas, respondia eu.

"_Tu és doido, rapaz? Colégio, cidade, isto que é bom…"

Este era o grande conceito existente no Brasil progredido de meio século atrás. Mas, graças a Deus e um pouquinho aos nossos braços também, a coisa é completamente mudada: Cafundó agora se chama Eldorado.

Lembrança de Heróis Salesianos

Como então não lembrar figuras de verdadeiros bandeirantes como o Padre António Góis que estabeleceu o l9 contato com os índios Yanomami do Rio Caaborís e do Rio Marauiá, no Rio Negro; de Mons. João Marchesi, fundador da Missão de lauareté no extremo limite do Brasil com a Colômbia, ele que com seus 80 e tantos anos ainda subindo em escadas e andaimes, de martelo em punho, para assentar telhados e coberturas em capelas e escolinhas, organizando a vida dos vilarejos dos Rios Uaupés e Papurí?

Como não lembrar os fatores que mais favoreceram nosso trabalho? O tempo, os anos de ação constante, persistente, presenças geradoras de segurança e estabilidade.

Na iminência de me tornar Padre, os outros colegas de turma já sabiam para onde seriam destinados enquanto que eu aguardava pela minha vez. Mas, um tanto impaciente tomei a liberdade de escrever ao Bispo D. Pedro Massa, Prelado do Rio Negro. E ele prontamente me respondeu: "Sua destinação já está fixada, IAURETÉ!" A minha alegria foi intensa. Lá eu fui e lá passei os anos mais felizes da minha vida.

Como não lembrar as autoridades das diversas instituições que se fizeram presentes para nos prestar o apoio necessário? Pessoas que colaboraram com sua orientação, assessoramento, presença eficiente e eficaz. Tudo isso contribuiu para criar e melhorar o novo vulto da área do Rio negro, onde mais investimos em energias, meios e pessoal para que populações inteiras entregues ao maior abandono, ignorância, miséria e perigo de extinção voltassem a reviver, graças à nossa assistência, instrução e educação adequadas; passando do isolamento ao fluxo normal de comunicação por meio das agências dos Correios; dos campos de pouso para aviões; a instalação de fonias para transmissões orais imediatas garantindo notícias, formulação de pedidos e atendimentos; centros de saúde; escolas e escolinhas em pé de igualdade com as similares de outros centros da nossa Região; a formação religiosa graças à criação de uma rede de catequistas devidamente formados e residentes nos vilarejos semeados ao longo dos rios.

Incentivos valiosos no decorrer dos anos foram os cursos de nível superior sobre desenvolvimento comunitário patrocinados pela SUDAM nos anos setenta. Os cursos acadêmicos de revalidação dos Estudos de Filosofia e Pedagogia pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF-MG), visando o ensino e a Coordenação nas várias escolas e colégios a nós confiados. Outros Cursos e Seminários prolongados como os do Instituto de Antropologia e Etnologia de Bogotá; semanas intensas de orientação prática assistidos por antropólogos, sociólogos e psicólogos, tem produzido um grande efeito e sucesso na metodologia de atendimento com os diferentes grupos humanos indígenas, principalmente; passando de uma fase de mero assistencialismo para um novo processo de autogestão e auto-suficiência sob a orientação e animação que a dinâmica pede.

O Doutor Álvaro Botelho Maia

Um evento muito significativo para minha pessoa aconteceu em 20 de agosto de 1968. Foi a cerimônia de juramento de fidelidade a Constituição e à Bandeira do Brasil, por ocasião do recebimento da cidadania brasileira. Eis que improvisamente e sem meu conhecimento apareceu, por detrás do meu lado como Padrinho do Ato, o Dr. Álvaro Maia. Foi algo extremamente emocionante, jamais esquecerei isso!
Em várias ocorrências foi-me sugerido de escrever as minhas memórias, algo que não é muito do feitio da nossa natureza salesiana: feitos mais para agir, deixar outros falar.

O que desejo expressar, neste momento tão especial, é que os sonhos bem sonhados com certeza se realizam; que o bem que se produz é como a chuva que penetra e fecunda a terra e a terra produz os frutos; que este reconhecimento outorgado é algo sumamente importante e serve como estímulo para os mais jovens, ardorosos, desejarem fazer algo assim como descrito.

MUITO BRIGADO!

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