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Minha experiencia no Círio de Nazaré

Depois de seis anos voltei a Belém do Pará para participar do Círio no domingo oito de outubro. Comigo foram sete paroquianos. Mais de dois milhões de pessoas estiveram lá manifestando o amor a Mãe de Deus. Aquela imagem pequena, encontrada na beira de um rio, pelo pescador Plácido, chega ainda hoje aos nossos olhos e nos emociona. A grande multidão se manifesta durante varias semanas, mas o domingo do Círio é especial. Pessoas de todas as partes do Brasil, sobretudo do Pará chegam a Belém de barco, avião, ônibus e caminhando. Muitos caminham quilômetros para chegar a Belém. De tudo que vivi gostaria de evidenciar três realidades:


1.A devoção a Maria de Nazaré: O círio começa a aquecer o coração dos paraenses em agosto, mas são nos dias que antecedem o domingo que as manifestações de fé começam com toda emoção e intensidade. Na noite do sábado a imagem sai do Colégio Gentil rumo a catedral de Belém. Uma multidão de fieis seguem a berlinda cantando, rezando e fazendo seus pedidos. A corda vai junto, puxada por uma multidão de jovens. A devoção a Maria é algo intenso que emociona a todos que estão no longo percurso. No domingo tudo começou com a celebração eucarística. O povo acompanhou como atenção. No final um bispo apresentou a imagem ao povo que aclamou com vivas e lágrimas. É uma emoção sem igual. Durante o percurso, este ano durou 7 horas, as manifestações são variadas. Cantores, bandas católicas, corais, padres e locutores animam a grande procissão. A imagem passa por todos e parece que acena a todos.


2. A presença da juventude: Os jovens estavam presentes no círio em grande número. É algo impressionante. Desde a noite da transladação já tínhamos constatado que o círio ganhou o coração da juventude. A maioria são promesseiros que manifestam agradecimento a Maria pelas graças recebidas. Jovens de todas as classes sociais. Na corda não existem ricos e pobres, todos são filhos queridos da Mãe de Nazaré. Maria inclui a todos no projeto de salvação de Deus. Ela apresenta aos jovens o Filho querido e os jovens correm atrás de Jesus puxando a corda. Quem vê fica emocionado com tanta fé. Sim, fé. Aquilo não é masoquismo nem exibicionismo, mas a busca de Deus, eles têm sede de Deus e Maria se torna a mãe da casa do pão servindo a todos as graças de Deus.



3.A berlinda e a corda: O círio tem estes dois símbolos religiosos de grande importância. A berlinda trás a imagem da mãe de Nazaré. Ornada com flores naturais e rodeada de mística, a berlinda avança devagar no meio da multidão. Passo a passo ela parecia chegar nas mãos de cada romeiro. A corda puxava a berlinda. São as mãos e as forças dos promesseiros que fazem a berlinda andar. A grande maioria era jovem. Ficamos olhando a multidão que passava ora rezando, ora cantando, ora chorando, ora aclamando. Senti grande emoção quando a berlinda e a corda passaram por mim. Era a força da fé de um povo que não perdeu a esperança e não perderá nunca.



Agradecimentos:



1. Agradecemos ao padre Gennaro e a comunidade do Colégio do Carmo pela acolhida;



2. Agradecemos a irmã Quiteria e a comunidade do Dom Bosco de Salinas pela acolhida;



3. Agradecemos ao padre François pelo almoço do Círio na comunidade da EST.



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