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"Ide pelo mundo"

“Ide pelo mundo”.

O ressuscitado enviou os discípulos em missão. Esta consciência de nascer missionária (Mc 16,15; Diretrizes CNBB 2010-2015, n. 30 passim), sempre existiu na Igreja, mesmo nos momentos mais difíceis e de maiores conflitos internos e externos. Contudo, hoje, na atual conjuntura de “mudança de época” (DAp, 44; Diretrizes da CNBB 2010-2015, n. 19) esta realidade despertou o desejo da URGENCIA, pois o tempo urge e estamos como que desnorteados. Parece que acordamos de um sono profundo; completamente dominados pelo vazio de uma época que passa rápido demais e nos atropela deixando para trás perdas imensas. Agora, faz-se urgente “agir com firmeza e rapidez” (Diretrizes da CNBB 2010-2015, n. 34) para recuperar o tempo de sonolência que nos dominou e atravancou a ação missionária.

Acordamos convencidos que os tempos exigem mudança de mentalidade, práticas e estruturas, pois apenas conservamos modelos, linguagens e normas que na atualidade não chegam a tocar as pessoas em profundidade (Diretrizes da CNBB 2010-2015, n. 25-28). É urgente, portanto, uma autoavaliação que tire o peso de uma preocupação exagerada consigo mesma, sem negar, é claro, o que já foi feito, para redescobrir o testemunho pessoal e comunitário, como elementos importantes do anúncio do Evangelho (Diretrizes da CNBB 2010-2015, n. 42), rompendo assim, com a aguda onda individualista, hedonista e consumista, que ofuscam a imagem de Deus ou, na pior das hipóteses, colocam a pergunta negativa sobre sua existência (Diretrizes da CNBB 2010-2015, n. 15). Aliás, alguns agnósticos afirmam que o fato de não acreditar em Deus não significa que o ignorem. Eis um gancho de diálogo.

Mais do que nunca os tempos exigem a necessidade do encontro com as pessoas no mundo aonde elas vivem, não naquele que nós gostaríamos que elas estivessem, para ali instaurar um diálogo, escutá-las sem inferir e impor verdades, para saber partilhar o pão da vida que é Jesus Cristo, Palavra que sacia a sede e a fome para preencher o tremendo vazio de sentido, o niilismo, no qual estamos imersos (Diretrizes da CNBB 2010-2015, n. 31; DAp, 548). Contudo, perguntemo-nos sobre este mundo das pessoas, sobretudo dos jovens. Como ele se caracteriza? Para mim, trata-se de uma realidade complexa recheada de desejos e necessidades; desejos que precisamos, antes de tudo, entender para saber discernir e, necessidades legítimas que precisamos atender (Diretrizes da CNBB 2010-2015, n. 32). Considero esta complexidade com as seguintes características:

1. Busca de oportunidades
2. Curiosidade movida pela novidade
3. Ritmo, música, dança, moda
4. Virtualidade que gera presença
5. Aventuras que questionam a fidelidade
6. Desencanto social e político
7. Ânsia de sucesso
8. Apelo emocional e sentimental
9. Preocupação ecológica
10. Equilíbrio entre diferenças, tolerâncias e intolerâncias

A nós, educadores, missionários dos jovens, não nos cabe de princípio resolver esse emaranhado de desejos e necessidades, mas proporcionar um encontro com o ressuscitado que preencha o agudo vazio interior e torne-se seguimento; por conseguinte, uma grande ação mistagógica (Diretrizes da CNBB 2010-2015, n. 32.41). Não temos fórmulas prontas, mas uma impactante experiência que alimenta nossas buscas.

O papa Bento XVI, no 2º. Volume da sua obra “Jesus de Nazaré”, afirma que este encontro com o ressuscitado foi “um acontecimento de um poder impressionante”, capaz de gerar nos primeiros cristãos, a “ renúncia ao sábado e a sua substituição pelo primeiro dia da semana”, o domingo (Cf. Jesus de Nazaré, da entrada de Jerusalém até a Ressurreição, p. 232). Este acontecimento deu forma a Igreja nascente. Certamente, hoje, ao sair do túmulo da nossa inércia, este testemunho será capaz de produzir ainda o mesmo impacto que mexeu com os primeiros discípulos missionários, porque Jesus é o vivente ontem, hoje e sempre, fonte de vida, verdadeiramente reconhecível em nossas narrações de fé. Não foi à toa que Jesus disse que somos o sal da terra, ou seja, aquele que não deixa putrificar, pois nos coloca numa ligação interior com Ele (Cf. Jesus de Nazaré, p. 242). Esta experiência histórica de ontem e de hoje é que nos arranca da mesmice e favorece a consciência missionária.

Contudo, é imprescindível uma corajosa e rápida ação missionária que toque em profundidade a vida das pessoas, sobretudo dos jovens, que não seja um verniz, mas penetre na profundidade da vida, fecunde e produza frutos. Então, temos que fazer uma opção por um estilo de evangelização que comece pelo anúncio do ressuscitado e produza um encontro histórico que perpasse a vida do ouvinte da Palavra e o transforme em narrador da fé (Diretrizes da CNBB 2010-2015, n. 37). Neste sentido, a iniciação cristã, é um processo que supera a adesão a uma idéia e fascina o discípulo no ver, ouvir e tocar o mestre que vem ao encontro ainda hoje.

Trata-se, pois, de uma ação permanente, profundamente radicada na Palavra de Deus “como lugar privilegiado do encontro com Jesus Cristo” (Diretrizes da CNBB 2010-2015, n. 45). Palavra que as pessoas têm sede e fome, embora, não o saibam com clareza. Recordo aqui a expressão usada pelo bem-aventurado João Paulo II quando esteve na Nicarágua. Diante de uma multidão que sofria todo tipo de opressão ele avistou uma fixa que escapara da censura, que dizia: “Santo padre, o povo passa fome!”. Diante daquele grito, o papa, deixou o discurso preparado e exclamou com voz forte: “Santo Deus, o povo passa fome!”. Era o papa horrorizado com aquela linguagem da massa nicaraguense faminta e oprimida. Ele tornou universal um fato particular. Contudo, o papa acrescentou: “Esta fome de pão deve acabar, mas a fome de Deus, não”. A mesma massa de gente que acorrera ao estádio para ver e ouvir o papa estava faminta do pão cotidiano, mas também do pão que é o Ressuscitado, aquele que verdadeiramente liberta e acaba com a fome de opressão, da cegueira, da violência; enfim, da morte. Hoje, “o mundo tem sede desta Palavra. Nosso tempo carece verdadeiramente da Palavra de Deus, deixar-se apaixonar por ela e, com ela, caminhar pelas sendas do Reino” (Diretrizes da CNBB 2010-2015, n. 48).

Esta fome é  também da experiência de  vida em comunidade, pois o individualismo torna cada vez mais difícil a partilha. A experiência da comunidade cristã que “acolhe, forma e transforma, envia em missão, restaura, celebra, adverte e sustenta” (Diretrizes da CNBB 2010-2015, n. 56). Sem ela a pessoa permanece solta, sem rumo e sem chão, fechada em seu mundo de solidão e incertezas. É urgente proporcionar formas diversas de comunidades aos jovens e ao povo em geral, para romper com o espírito de competição, desigualdades e apatia que fortalece mais ainda a cultura da morte. Ao contrário, a promoção da vida é um testemunho urgente que brota daqueles que acreditam no Ressuscitado (Diretrizes da CNBB 2010-2015, n. 68), pois ele não é um fantasma, como enfatiza bem Bento XVI na sua recente obra, ou a criação da imaginação de um grupo de homens e mulheres amedrontados, mas o vivente que transforma a história e faz dela sua habitação permanente. A Igreja é assim uma samaritana que convoca, agrega e conduz a águas tranquilas (Diretrizes da CNBB 2010-2015, n. 72).

Certamente a missionariedade produzirá em todos nós uma nova espiritualidade como bem queria São Cirilo de Jerusalém no século IV. Não um testemunho eloquente fundamentado em conceitos rebuscados, mas uma vida convincente que se faz por si mesma anúncio, diálogo, serviço, testemunha de comunhão (Diretrizes da CNBB 2010-2015, n. 134). O próprio discípulo missionário é o texto, o carteiro de Deus, capaz de manifestar a experiência interior do encontro com Jesus. A Palavra lida, meditada e internalizada é capaz de produzir um texto no emaranhado de linguagens e de ruídos que dificultam ouvir a voz do Ressuscitado que partilha conosco as Escrituras e parte o pão da vida, fazendo-nos narradores da fé e não meros ouvintes.

Pe. João Mendonça, sdb

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