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Fui romeiro em Juazeiro do Norte

Uma das fortes personalidades do nordeste brasileiro é, sem sombra de duvida, o padre Cícero Romão Batista. Muitos que residem em Manaus são nordestinos que também estão ligados ao mundo religioso e cultural de Juazeiro. Escrevo este artigo com as imagens fortes que experimentei na romaria para a festa de Nossa Senhora das Candeias. Acredito que mais de 200 mil romeiros estiveram em Juazeiro realizando o maior retiro espiritual ao ar livre já visto por mim. Sim porque a romaria é um retiro. São quatro dias de peregrinação que começa nas cidades de origem e termina em Juazeiro com a visita aos lugares por onde passou padre Cícero, confissão e missas festivas. O que colho desta experiência?


1. A romaria é um grande ato de fé: os católicos que vão a Juazeiro entre os dias 30/01 a 04/02, chegam cheios de esperanças e fé. Eles sentem a presença amorosa do padre Cícero pelas ruas, igrejas e casarões da cidade de Juazeiro. Na cidade tudo fala do grande patriarca. Não é uma viagem turística com direito a hotel de luxo, visita ao shopping, banhos e arraiais noturnos. Nada disso. O romeiro vai rezar, peregrinar, pedir perdão, graças e paz para a família, para suas paróquias, para suas cidades. É uma visita ao PADIM que sempre acolheu os mais pobres de braços abertos. Fiquei impressionado escutando os romeiros nas confissões e nas celebrações litúrgicas.


2. A romaria rejuvenesce a veneração por padre Cícero: o religioso que soube ser ousado, criativo e empreendedor no vale do Cariri ainda hoje acolhe seus romeiros. Ele nasceu no Crato no dia 24/03/1844 e morreu em Juazeiro no dia 20/07/1934 aos 90 anos. A grande questão de Juazeiro foi o famoso milagre de 1889 quando a Beata Maria Araújo, depois de receber a comunhão das mãos do Padim, sentiu e viu a hóstia se transformar em sangue. Daquele dia em diante a vida de padre Cícero mudou radicalmente. Perseguido por muitos padres e o bispo da região, foi oficialmente proibido por Roma de pregar e confessar seus romeiros em 1892. Mesmo assim os romeiros não perderam a esperança no padre que os ajudava e curava dos seus males materialmente e espiritualmente.



3. A esperança na reabilitação: em 1896 padre Cícero foi novamente vitimado com a proibição de celebrar missa. Para ele foi um golpe grande. A influencia política, religiosa e social que ele exercia em Juazeiro provocou inveja e calunias contra as ações de promoção humana e religiosa que ele fazia. Padre Cícero não pode ser analisado sem o contexto de seu tempo, sobretudo, de um esforço brutal da Igreja católica em romanizar o catolicismo; enquanto ele procurava inculturar o catolicismo no cotidiano do homem nordestino. Nos últimos cinco anos foram feitos estudos profundos sobre os feitos de padre Cícero, tudo foi entregue no Vaticano, e agora se espera a reabilitação do mesmo, ou seja, que a Igreja reconheça os equívocos e reconheça as virtudes de bom pastor PADIM de Juazeiro. O mesmo Espírito que santifica lá também santifica aqui.



Certamente precisa mudar o paradigma de santidade tão caro ao contexto europeu. O perfil de santidade submissa, humilde, esquisita, individualista e cheia de moritificações foi quase dogmatizado, mas o Espírito Santo, que tudo santifica, é dinâmico e criativo. É ele que transforma o “jardim do Éden” que Deus plantou em cada um de nós com a árvore do bem e do mal. O jardim é belo, atraente e cheio de vida; cabe ao ser humano o cuidado e a administração desta realidade divina. Somente no nosso interior, como diz o próprio Jesus, é possível a contra-mão da criação com as obras de injustiças (Mc 7, 14-23. Na realidade vivemos no jardim que corresponde à nossa liberdade e responsabilidade. Ser santo nada mais é que fazer desta obra da criação o lugar onde Deus seja tudo em todos. Assim foi padre Cícero.



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