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Dom Bosco passou?

Dom Bosco passou: a poeira baixou?

A preparação para a acolhida da urna com as relíquias de Dom Bosco causou grandes e pequenas preocupações, reuniões, encontros, viagens, muito gasto e preparação espiritual. Crianças, jovens e adultos, atenderam ao chamado e foram às nossas obras para ver Dom Bosco. Uma canção que escutei em Quito, de um salesiano músico, diz: Don Bosco aqui viene. Ya viene Don Bosco. Don Bosco aquí estás! Aí esta Don Bosco. Este refrão ficou martelando em meus ouvidos durante todos os dias que estive diante da urna.

Don Bosco vem aqui: de fato as relíquias trouxeram roupas, traços e a relíquia do nosso querido pai. Ele estava ali diante de nossos olhos. Lembrava-me das viagens que ele fez a França, a Espanha e tantas cidades da Itália. Era sempre recebido como alegria e com festa. A presença do santo dos jovens trazia reconforto para a alma e esperança de vida.

Don Bosco já vem: a espera da urna causava uma grande expectativa nos jovens e nos adultos. Observei isto em muitos rostos. Menos nos rostos de muitos salesianos. Alguns até pareciam descrentes e distantes. Afinal, o que era tudo aquilo? Um triunfalismo? Um canto vitorioso? Uma espécie de “fogo de palha?”.

Dom Bosco está aqui: de repente a urna estava diante de nós. Muitas mãos se erguiam para tocar, sentir, empurrar. Era o desejo de tocar em Dom Bosco. Desde a chegada vi muitas pessoas se aproximarem da urna com devoção e fé. Também vi gente que ficou de longe. Acho que até salesianos nem tocaram na urna. Talvez com receio de manifestar que amam ou que a religiosidade também passa pelo toque, pela oração com a cabeça recostada na urna. Gestos que dizem muito de afeto, amor. Preparamos a festa para os outros, mas não entramos nela de coração.

Ai está Dom Bosco: ali estava a urna com as relíquias do santo dos jovens. Os cantos, as fitas, as fotos ao redor, as marcas das mãos e as duas datas: 1815 – 2015. Ambas marcavam no tempo o agradecimento a Deus pelo dom da vida de Dom Bosco. Ele estava ali diante de nossos olhos. Sua aparência causava inquietude, porém, faltava falar, acenar, olhar para nós. Entretanto, seus olhos permaneciam fechados. Ele dormia o sono dos justos.

E agora José? A urna passou. Os cantos cessaram. As fitas desapareceram. As noticias nos jornais calaram. E agora? O que nos resta? Pagar as dívidas? Guardar as medalhas recebidas? Olhar as fotos e os vídeos? Até o site parou de publicar novidades. E agora? Acabou? A poeira baixou? E agora? E agora? Para mim fica o apelo de re-partir de Dom Bosco. E digo mais: está difícil, muito difícil!

É preciso olhar além das fórmulas e das normas. Precisamos nos convencer que Dom Bosco AQUI VEM; hoje e sempre. Sua memória e sua história permanecem vivas no meio de nós. Empolga nossas vidas. Fortalece nossa fé no Deus salvador. Somos nós Dom Bosco que chega hoje nos pátios e nas praças juvenis. Ou será que não? E agora?

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