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Dom Bosco confessor e diretor espiritual

Em nossos dias a prática da direção espiritual, mesmo que algumas orientações pedem que o termo seja modificado para acompanhamento espiritual porque tira a idéia de direção; prefiro ainda manter o termo por uma questão de compreensão pessoal de que o diretor espiritual não é um simples acompanhante mais alguém que ajuda o dirigido a entrar no interior de si mesmo na busca de Deus, isto supõe uma experiência pessoal de mergulho na interioridade. É importante ressaltar aqui que graças a Sao José Cafasso, um dos três confessores de Dom Bosco na vida adula, foi possível ao nosso pai este mergulho interior seja na confissão como na direção espiritual. Esta experiência ele viverá na orientação dos oratorianos.

Neste sentido Dom Bosco nos ajuda, dentro da grande tradição Beneditina e Inaciana, a restabelecer um processo renovado da confissão e da direção espiritual sempre numa chave de “espiritualidade preventiva”, própria do sistema pedagógico que ele mesmo organizou ao longo de sua pratica oratoriana.

Na Regra de São Bento encontramos o ideário de um bom diretor espiritual, ou seja, a paternidade que sabe acolhe incondicionalmente o dirigido na escuta, na doçura e na confiança. Em Santo Inácio temos o sentido profundo do serviço, pois o mesmo não aceitava o autoritarismo nem quebrar de vez a pessoa em suas fragilidades. Ambos idearam uma espécie de caminho espiritual para dentro da consciência da pessoa na qual somente Deus fala e a pessoa do dirigido escuta num diálogo amoroso.

Dom Bosco, atendo observador e conhecedor de ambos espiritualidades, colheu para si elementos muito significativos que ao longo de sua experiência oratoriano foi se traduzindo em familiaridade, sinceridade, bondade, empatia, disponibilidade, obediência, escuta, sacramento da reconciliação. O padre Caviglia, grande estudioso de Dom Bosco, nos diz que nenhum menino entrou no oratório sem ser recebido por Dom Bosco e feito uma boa confissão. A mesma coisa quanto à direção espiritual. Dom Bosco antes de iniciar o processo de direção pedia ao jovem que se preparasse para uma confissão geral com ele, pois entendia que somente na abertura total do coração através do perdão era possível iniciar o mergulho profundo na interioridade na direção espiritual. Portanto, Dom Bosco, unia a confissão como uma espécie de ante-sala da direção espiritual, uma não podia existir sem a outra.

Hoje fazemos um certo esforço para separar a confissão da direção espiritual. Não seria talvez uma falha nossa na “espiritualidade preventiva?”. Evidentemente que são momentos bem diferentes, porem são recíprocos na sua intencionalidade. Enquanto a confissão desce no interior das incongruências humanas do pecado e suas conseqüências, a direção espiritual por sua vez fortalece os laços do encontro do dirigido com Deus, processo no qual o diretor espiritual é uma mediação para o encontro. E se o confessor for o mesmo diretor espiritual? Eu sei que algumas orientações oficiais da Igreja separam a ambos por questões disciplinares e até de juízo em certos momentos, sobretudo em caso de acesso ao sacramento da Ordem. Contudo, na pratica oratoriana de Dom Bosco ele era o confessor e o diretor espiritual de seus filhos. Trata-se, pois de uma herança carismática que precisamos repensar para os dias de hoje. Ambas não se misturam, tampouco se separam. Não são a mesma coisa, mas são recíprocas, não quero dizer complementarias.

No sacramento da Reconciliação Dom Bosco proporcionava ao jovem a purificação do coração, via purgativa. Isto porque, a maioria dos oratorianos era jovens pobres, saídos das prisões de Turim, migrantes de longínquos povoados, explorados e maltratados. Era comum encontra-los revoltados, maliciosos, desconfiados. Com o processo de confissão Dom Bosco conseguia chegar nos dramas mais profundos dos meninos, conhecia suas intenções, sabia de suas dores, esperanças e angústias.A direção espiritual se tornava, então, o passo seguinte, ou seja, a reconstrução do humano e da auto-estima. Ora, sem esta preciosa metanóia a direção espiritual ficava coxa e sem frutos. Talvez seja isto que acontece em nossos dias quando depois de um longo processo formativo constatamos que a direção espiritual que fizemos não partiu de uma purificação interior que, portanto, não alimentou o desejo consciente de encontro com Deus. Imagine isto no contexto juvenil e popular.

Por enquanto fico por aqui na esperança de que o estudo sempre mais consciente do nosso Pai Dom Bosco nos ajude a retornar continuamente às fontes do carisma.

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