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“Das profundezas, eu clamo até vós, Senhor…” (sl 130)

Quem não rezou, cavou. E houve quem cavou, rezando.

Deus parecia descuidado quando permitira a desgraça de seus 33 filhos mineiros. Uma explosão os encerrou num túmulo de 700 metros de profundidade. Enterrados vivos. Muitos gritos imprecaram: “Senhor Deus onde estavas quando teus filhos sufocavam no escuro do abandono, sem o oxigênio dos olhares amigos, sem a grudice dos abraços dos filhos e o fogo dos beijos das esposas? Cochilavas?”

E então Deus disse um simples “oi” bondoso e eles se abraçaram e juraram solidariedade até os ultimo dia de sua agonia. Deus lhes bafejou com o hálito divino e eles começaram a perder o medo, a enfrentar o pânico e, organizados, resolveram sobreviver contra a dureza das paredes frias. E a pouca água se fez gotas na sede de cada um. E o alimento, um pedaço de ânimo no coração de cada um, num ritual de comunhão. Nunca uma celebração aconteceu em tão grande profundidade. Quinze dias de perguntas estampadas nos rostos rigidamente amedrontados dos mineiros: “seremos encontrados?” “Vão nos descobrir?”, “ Voltaremos a acariciar nossos filhos?” Mas Deus, antes julgado aparentemente distraído, já os descobrira, antes de todas as buscas.

E a primeira angustiante expectativa foi engolida pela solidariedade nacional e internacional. E lá em cima, na vida normal do Atacama despertado pela tragédia, a fraternidade formou um cordão de milhões de braços chilenos para cavar o caminho do resgate. Um anjo de luz sinalizava o longo túnel. As esposas aflitas e os ansiosos filhos uniram as mãos e convocaram a nação chilena para perfurar a rocha da aparente impossibilidade. Em cada palmo terra adentro, ecoava, “boca chiusa”, o clamor tecido no “ das profundezas . Senhor, clamo a voz.“ Seriam necessários três meses para o resgate, mas a esperança se apressou e o reencontro de amigos, parentes e patriotas afiou a broca perfuradora com o refrão “mesmo passando pelo Vale da Morte, não temerei”.

Eu visitei aquele deserto aterrador. Totalmente pedra e areia e morte. E fui naquele tempo em que ele, todinho, se cobre de flores amarelas em toda a sua extensão. Extravagância da natureza. A desolação feita um quadro de Van Gogh.

Mas, distante quilômetros dali, senti que eu estava presente. Eu também cavei. E percebi que as mãos de Deus estavam calejadas também. Ele, eu, os chilenos e a humanidade cobertos com as flores amarelas do Atacama. Um gosto de terceiro dia.

***

Acesse o "Parabólica": http://parabolica2010.wordpress.com/

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