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Da reprografia à diretoria: Padre Chicão volta às ‘raízes’

Um padre que é torcedor do Nacional, usa relógio digital, aprecia um ‘bom banho de igarapé’, gosta do filme do Batman e sempre se emociona ao rever o filme ‘Central do Brasil’. Que aprecia a música regional, mas gosta de cantar sucessos das discotecas dos anos 70 e, de quebra, é poliglota: fala italiano, francês, inglês e espanhol. Enfim, um padre de espírito jovem.


Francisco Alves de Lima, filho de Alderico Alves de Lima e Tecuza Maria Alves, nasceu em Iguatu, no Ceará, dia 8 de outubro de 1966, onde viveu até os 9 anos de idade. Padre Chicão, como é conhecido, define a si mesmo como uma pessoa sempre disponível. “Não sei dizer não. Dom Bosco disse: Deus nos colocou neste mundo para os outros”, afirmou o diretor do Colégio Salesiano Dom Bosco.


Seu pai trabalhava como lavrador no interior do Ceará. “Levávamos uma vida bastante simples, mas nunca chegamos a passar fome”. Mesmo assim, a situação difícil em Iguatu fez com que, em 1975, sua família viesse para Manaus, buscando melhores condições de vida, e fosse morar no bairro Alvorada, zona Centro-Oeste, onde vive até hoje. “Vendemos tudo o que tínhamos, que era quase nada, e viemos, com a cara e a coragem”, contou o padre. Chegando aqui, Alderico, pai do padre Chicão, trabalhou como motorista, zelador e autônomo. Em Iguatu, Francisco e sua irmã Josefa ajudavam na roça e, ao chegar na capital do Amazonas, o jovem foi vender picolé e capinar terrenos do, então novo, conjunto Dom Pedro para ajudar na renda de casa.



Quando vivia no Ceará, seu único contato com os livros era por meio de uma tia, que o ensinava numa escola improvisada. Só cursou a primeira série aos dez anos, no Colégio Alda Barata, onde estudou até a sétima série.



Em 1981, começou a trabalhar no Colégio Salesiano Dom Bosco como distribuidor de material didático e, mais tarde, como mecanógrafo. “Eu carregava as apostilas para as salas de aula e, como mecanógrafo, era responsável pela reprografia da escola”, contou o padre Chicão.



O padre Oscar Vigoya, então diretor do Colégio Dom Bosco, era quem celebrava as missas na paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, que padre Chicão freqüentava, no bairro Alvorada I e, ao saber que o jovem precisava de um emprego, ofereceu a ele o cargo de distribuidor de apostilas. Padre Chicão trabalhou até 1986 no Colégio Dom Bosco, quando entrou para o Seminário no Centro Vocacional Salesiano, onde concluiu o Ensino Médio depois de dois anos.



O padre contou que descobriu essa vocação para a vida religiosa aos 15 anos, impulsionado pelo trabalho que fazia na Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora. Antes de ir para o Seminário, aos 19 anos, namorou como qualquer jovem da sua idade. “Minha última namorada hoje é casada e tem filhos”. Para ele, o choque que sua família sofreu quando ele decidiu sair de casa para seguir a vida religiosa se deu, principalmente, por ser o filho mais velho, que trabalhava e ajudava em casa. Mesmo assim, a família nunca se opôs à sua escolha. “Sempre tive o apoio dos meus pais e meus irmãos”.



Em 1989, foi para Porto Velho fazer o Noviciado, um ano de preparação antes dos votos religiosos. Entre 1990 e 1994, Padre Chicão passou por Manaus, Porto Velho e Ananindeua, no Pará, sempre estudando religião. Em 1994, viajou para a Itália pela primeira vez, onde estudou teologia na Pontifícia Universidade Salesiana de Roma até julho de 1997, quando foi ordenado Diácono, ou seja, estava a uma etapa de ser ordenado padre.
Voltando da Itália, no dia 13 de dezembro de 1997, foi ordenado padre, mais de 11 anos depois de iniciados seus estudos na vida religiosa. Em 2000, de volta à Itália, tornou-se mestre em Teologia Dogmática ou Sistemática pela Pontifícia Universidade Gregoriana e trabalhou na Paróquia Civitavecchia, numa cidade a 80 quilômetros de Roma.



Em 2002 teve sua primeira experiência como diretor de uma escola, em Ananindeua, na Escola Nossa Senhora do Carmo. Já no ano passado, padre Chicão voltou a Manaus, onde foi trabalhar como vice-inspetor da Inspetoria Salesiana, órgão responsável por coordenar o trabalho dos salesianos de toda a Amazônia. No início desse ano, voltou ao local onde tudo começou: o Colégio Salesiano Dom Bosco. Mas, dessa vez, como diretor, substituindo o padre Gilberto Cucas. Em seu primeiro ano na direção da instituição, já conquistou alunos, professores e funcionários. E não são poucos, o Colégio Dom Bosco tem quase 200 pessoas, entre funcionários e professores, além de 2.150 alunos.



O estudante Vinícius Mota Martins, 14, faz coro a outros vários estudantes, que aprovam a direção de padre Chicão no colégio. “Ele é um bom diretor, descontraído e divertido. Nós o respeitamos sem ter medo”, declarou. As alunas Ane Caroline Buarque, 14, Cássia Maria Soares, 14, e Fernanda Calixto, 14, elogiaram os trabalhos de formação desenvolvidos pelo diretor e sua proximidade dos alunos. “Ele é bastante participativo, conversa muito com a gente e isso é muito legal”, afirmaram.



A diretora-pedagógica do Colégio Dom Bosco, Wilma de Almeida Lima, trabalha na instituição desde 1971, e conheceu o padre Chicão em 1981, quando ele foi trabalhar como carregador de apostilas. “Ele era uma pessoa muito competente, dinâmica e sempre disponível. Não foi surpresa saber que ele tinha ingressado na vida religiosa, ele sempre teve essa vocação”. Para ela, mesmo anos depois e exercendo outra função, o padre continua a mesma pessoa. “É uma bênção ter ele aqui como diretor”, declarou.



Sobre o processo de renovação da Igreja, o padre declarou: “A Igreja nunca vai poder mudar aquilo que é elemento da fé. Ela não muda porque é moda mudar. Muitas coisas já mudaram ao longo dos séculos, e muito ainda pode mudar, porém sem jamais trair o Evangelho”. Questionado sobre o aborto, o padre não titubeou: “Sou a favor da vida. O uso de anticoncepcionais, assim como a camisinha, são questões polêmicas, mas tenho o mesmo posicionamento da Igreja”. O padre, que defende a educação sexual nas escolas, acredita que uma educação sexual que vá além do ‘genitalismo’ é fundamental na transformação dos valores da sociedade.



Padre Chicão afirma não possuir projetos futuros. “Quero corresponder à minha vocação”. Mesmo depois de percorrer o mundo todo como salesiano, o padre diz não saber onde quer passar os últimos dias de sua vida: “Onde eu estiver, será o melhor lugar”. Aos jovens que pretendem seguir a vocação, ele aconselha procurar orientação e dedicar-se à vocação e às pessoas. “O que importa é buscar um sentido na vida. Muitas vezes, a vitória está na própria luta”, aconselha padre Chicão.



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