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CONGRESSO INTERNACIONAL: DOM RUA 2

Roma/Itália – Neste Grande evento internacional, estão participando 96 congressistas de todo o mundo, com uma forte presença da América Latina, entre os quais somos 3 brasileiros: 2 irmãs FMA (Edneth Brandão e Maria Imaculada da Silva) e a minha presença representando a nossa Isma. Somente hoje, neste segundo dia, tivemos 19 conferencistas os quais enfrentaram prevalentemente o tema das “provas” de Don Rua em relação à sua fidelidade ao Carisma confiado por Dom Bosco ao seu sucessor. Fidelidade que foi colocada em cheque por duas intervenções da Santa Sé: a primeira foi a separação entre os dois institutos, os SDB e as FMA, com a exigência da autonomia das irmãs salesianas; e a proibição aos superiores (diretores) de confessar seus súditos (salesianos e jovens).

Don Rua sentiu ameaçada a sua responsabilidade em ser fiel ao carisma confiado por Dom Bosco, pois estavam em jogo dois elementos centrais do que se entendia o “modo de fazer de Dom Bosco”. Que deveria ser conservado e preservado sem nenhuma mudança. Não é possivel entender as intervenções da Santa Sé sem aprofundar o contexto histórico e salesiano do acontecimento. No início do século passado a jovem Congregação trazia consigo a idéia de uma fidelidade que se traduzia antes de tudo em imitar exatamente o que Dom Bosco tinha vivido. O problema nascia na figura do diretor-confessor, praxi muito difundida que trazia consigo toda uma tradição que tinha sua origem no próprio Dom Bosco. O sacramento da penitência era concebido como uma das colunas do sistema educativo salesiano: uma confissão frequente, bem feita e, de norma, com um confessor estável. O diretor era o confessor ordinário dos salesianos. As constituições não diziam nada sobre isto, mas outros documentos oficiais, sobretudo as deliberações dos capítulos gerais, estabeleciam tal praxi. Estes documentos, deixavam entender que tinha um espaço, em teoria, para a livre escolha do confessor, mas na realidade não era assim tão simples. Este modo de viver o sacramento da confissão, as vezes, deixava espaço à manifestação de abusos na praxi do sacramento. Tanto que desde 1896 chegavam a Roma algumas denúncias enquadrando alguns superiores incapazes de distinguir entre foro interno e externo; a falta de liberdade na escolha do confessor; as consequências negativas para aquele que não se confessasse com o superior; o uso das informações obtidas na confissão para a admissão ou não às ordens e aos votos.

A preocupação da Santa Sé aumentou desde 1900 depois de receber novas denuncias, levando à decisão de intervir para eliminar qualquer possibilidade de abuso na Confissão. E em 24 de abril de 1901 foi aprovado pelo papa, o decreto Quod a Suprema. Que proibia a todos os superiores de escutar confissões dos seus suditos, por isso foi necessário eliminar nos documentos oficiais todas as referências ao diretor-confessor. A comunicação a Dom Rua chegou através do Procurador Geral no final do mês de maio. Daquele momento começaram “dias de fogo” que se concretizaram em uma série de respostas para procurar eliminar uma praxi muito comum que poderia transformar-se em um perigo. Chegando a este ponto, não restava nada a fazer que obedecer, mas as dificuldades na aplicação do decreto eram concretas: faltava pessoal competente para esta tarefa; a dificuldade em adaptar-se a uma normativa que era pensada como contrária à tradição de Dom Bosco; e a situação difícil, numericamente, das comunidades. Em 1903 diante do novo papa Pio X, Dom Rua conseguiu ter a faculdade, em caso de necessidade, de poder dispensar das normas do decreto.

A solução, à nivel canônico, chegou com a promulgação do novo código de direito canônico (1917) no qual se concedia a confissão com o superior, sempre que fosse um desejo do aluno. Neste caso a “tradição” cedeu o lugar à fidelidade para com a Santa Sé que ajudou a Congregação na purificação do modo de entender o núcleo animador do próprio carisma deixado por Dom Bosco. Mesmo indo além do próprio modo de “fazer” do Fundador, buscando o modo de “ser” que o Espírito guiou no seu caminho carismatico. Com grande coragem a Congregação assumiu a grande responsabilidade de continuar uma missão começada em modo tão audacioso pelo, já considerado em vida, santo Dom Bosco.

A orientação assumida no coração de cada salesiano, e no de Dom Rua antes de todos os outros, era o de ser FIEL a Dom Bosco, imitando-o em tudo, pois afascinados pela figura gigante do santo, não podiam que tentar imitar cada gesto deste tão caro pai. Não era uma questão racional, lógica ou não… era o afeto de filhos que ipnotizados pela grandeza do herói que tinham em casa tentavam de serem dignos de tão ilustre pai. A história, porém com suas tantas voltas, surpreendeu a jovem Congregação pedindo que renunciassem a dois elementos entre os mais fortes da experiência que tinham vivido com Dom Bosco: a relação familiar entre os SDB e as FMA; e o aspecto paterno do diretor que deveria conduzir o coração de cada jovem como seu filho, conhecendo-o em profundidade.

A grandeza de Dom Rua está no fato de não somente saber enfrentar situações como esta, mas principalmente de ter fortalecido a Congregação depois de desafios como estes. Para demonstrar esta afirmação basta ver entre outros números o dos salesianos que em 1888 (na morte de Dom Bosco) eram 773, e em 1910 (na morte de Dom Rua) eram 4001. A Congregação teve um crescimento nunca imaginado e que testemunha a grande capacidade de Dom Rua em manter a figura de Dom Bosco ao centro da grande missão Salesiana, pela qual ele, como Dom Bosco, deu “até o seu último suspiro”.

Aproveito participando de um Congresso sobre Dom Rua e justamente neste dia da sua festa, para dar os parabéns ao nosso caro Vigário Pe. Chicão que assumiu generosamente mais um período de serviço à Inspetoria auxiliando o Inspetor e a todos os Vice diretores que como Dom Rua, em relação à Dom Bosco, souberam e sabem ser sempre discretos e eficazes no serviço à missão Salesiana. Pe. Sinval Marques Pereira sdb

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