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COMLA: "Um banho de missionariedade".

“O Congresso está sendo um banho de missionariedade”, avalia o secretário da CNBB
quinta: 14 de agosto de 2008

O secretário da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Dimas Lara Barbosa, também participa do 3º Congresso Americano Missionário e 8º Congresso Latino-americano Missionário (CAM3-Comla8), que acontece em Quito, no Equador, desde o dia 12. Em entrevista exclusiva para o site da CNBB, dom Dimas ressaltou que o Congresso está sendo “um banho de missionariedade”. Para ele, a missão ad gentes é um desafio para toda a América Latina, especialmente para o Brasil, não obstante o projeto da missão no Timor Leste desenvolvido pela CNBB e outras presenças de brasileiros no exterior. “O dar da própria pobreza está se ampliando não só para a África, que é o continente mais explorado do mundo. O nosso olhar missionário está se voltando também para quem nos evangelizou, ou seja, para a velha Europa”.

Leia, a seguir, a íntegra da entrevista.

1. Quais suas impressões deste 3º Congresso Americano Missionário?

Dom Dimas – O Congresso está tranqüilo e com bastante variedade de apresentações. As conferências do cardeal Maradiaga [na quarta-feira] e de dom Augusto [na quinta-feira], foram muito boas e mostraram estilos bem diferentes. O cardeal, bastante efusivo, é um grande comunicador. Já dom Augusto insere sempre umas historinhas no meio de sua palestra, o que torna a apresentação tranqüila e participada. Já os fóruns são muito abrangestes. O Congresso está sendo um banho de missionariedade, sobretudo pelos testemunhos das pessoas que têm exercido importantes papéis missionários em diversas partes do mundo.

2. O cardeal Maradiaga destacou que para ser missionário é necessária a conversão e que, no mundo atual, isto é muito difícil. Como o senhor vê esta questão?

Dom Dimas – Achei muito interessante quando, brincando, o cardeal falou do missionário que foi fazer seu exame do coração. Quando o médico trouxe o aparelho para ouvir o coração, ao invés de ouvir os clássicos ‘tum tum’, ouviu ‘ai de mim se não evangelizar’. O cardeal insistiu muito que essa conversão se dá, em primeiríssimo lugar, numa coerência entre fé e vida e também para o próprio ser missionário. Se não houver este verdadeiro transplante de coração, esta paixão pela causa do evangelho, dificilmente a nossa missão será fecunda.

3. Em sua conferência, o bispo de Tonja, na Colômbia, dom Luis Augusto Castro, afirmou que o Espírito Santo empurra para muitas direções. Ele disse que é preciso tirar a viseira e olhar para o lado. Em seguida afirmou que a América Latina não é o continente mais pobre do mundo, mas sim a África. Comente esta afirmação.

Dom Dimas – Dom Augusto disse que o Espírito Santo vai nos empurrando na direção da missão, para cima, para baixo, pra dentro, para o mais profundo de nós mesmo e não exclui, de forma alguma, o olhar para o lado. Achei muito grave quando ele disse que o continente mais pobre do mundo é a África, de modo que se compararmos a pobreza da África com a riqueza da Suíça, podemos ficar escandalizados, mas são países diferentes. Já no continente latino-americano, esta mesma discrepância existe nas nossas grandes cidades, nos próprios países. Temos em cada uma de nossas capitais, situação semelhante: luxo como o que se vive nos países mais abastados do mundo e miséria comparável àquelas que se vivem nos cantões mais distantes da África.

Isso vale particularmente para o Brasil. Temos uma concepção do Brasil fora do país muito positiva. Investidores olham para nós como um país emergente. Nosso índice de credibilidade que cresce a cada vez mais a tal ponto das instituições que tradicionalmente investem em ações sociais no Brasil estarem destinando recursos para outros países dizendo: ‘os brasileiros já têm condições de caminhar com as próprias pernas’. Esta visão positiva, que estamos conseguido projetar para fora, traz consigo o risco da viseira de acharmos que está tudo bem e não conseguimos ver, lado a lado conosco, a pobreza e as injustiças que continuam existindo. Assim, o Espírito Santo ao animar o missionário, vai também dar um empurrão para o lado para que se preste atenção naquilo que está acontecendo ao seu redor.

4. Esta observação não vale também para a missão? Ou seja, a América Latina e o Brasil não devem oferecer missionários para as regiões mais distantes, dando de sua pobreza como afirmou o papa João Paulo II?

Dom Dimas – A expressão, que foi depois cunhada em Puebla, “precisamos dar de nossa pobreza”, já vem sendo colocada em prática. A CNBB tem uma missão no Timor Leste, mas vamos encontrar, em vários países da África, missionários e missionárias – religiosos, padres e leigos do Brasil – que estão lá se doando e construindo o reino de Deus. O curioso é como este dar da própria pobreza está se ampliando, não só para a África, que é o continente mais explorado do mundo. O nosso olhar missionário está se voltando também para quem nos evangelizou, ou seja, a velha Europa. Temos comunidades de brasileiros e brasileiras que estão enviando missionários para a Alemanha e para a Holanda, países que tradicionalmente nos mandaram missionários. Agora estes países estão precisando de um novo ardor missionários e são os brasileiros que estão lhes estendo as mãos.Esse impulso missionário não tem fronteiras.

5. É grande, neste Congresso, a presença de bispos, padres e religiosas. A Igreja fala do protagonismo dos leigos na missão. Como o senhor percebe a participação dos leigos na condução deste Congresso?

Dom Dimas – A descoberta do laicato e a vivência dos ministérios, sobretudo dos ministérios não ordenados, diferem de país para país.O Brasil tem saído na frente em muitas iniciativas nesta linha, tanto que o documento da CNBB sobre a questão dos ministérios na Igreja foi considerado pelo Celam como um dos mais aprofundados e avançados até então. Temos, assim, uma valorização bastante intensa em nosso país. Porém, mesmo no Brasil isso varia de diocese para diocese, de região para região.

Aqui no Congresso Missionário, vejo que os leigos estão participando na condução dos trabalhos. A infra-estrutura quase toda está nas suas mãos. É bom a gente perceber que não estão apenas ‘carregando pedra’, não estão apenas no trabalhos de infra-estrutura e de organização. Estão também na condução formal do encontro, embora de maneira menos visível. Sabemos que o próprio Celam tem seu departamento específico para seu direcionamento. Não sei quantos peritos leigos e leigas foram convidados para elaboração dos subsídios e para organização macro dos rumos do Congresso. De qualquer maneira, a participação do laicato no Congresso é bastante intensa.

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