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CG26 – HOMILIA DE DOM ANGELO AMATO

IV Domingo da Quaresma – Ano A
Roma, 2 de março de 2008

ƒÈƒnAngelo Amato, SDB

Estamos na metade da Quaresma. Hoje é o domingo “laetare”, um domingo que nos convida à alegria e ao júbilo: “Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estão tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações” (Is, 66,10).

É possível estar alegres na Quaresma? Sim, porque estamos na proximidade da Páscoa, porque o Senhor Jesus está conosco aqui reunidos na oração, porque Ele está presente no sacramento da Eucaristia. Ainda mais, Ele está presente com a sua palavra e o seu ensinamento.

Para nós salesianos, a alegria provém, também, deste importante acontecimento do Capítulo Geral, que para a Congregação constitui uma etapa significativa da nossa vida de comunhão fraterna, para o nosso apostolado e para nossa santificação.

Por isso é muito oportuna, hoje, a meditação da página evangélica que fala da cura do cego de nascença. Trata-se de um milagre, que antecipa o grande acontecimento da ressurreição, que é a total recuperação da humanidade da escravidão do pecado e da morte.

Na frente do cego, enquanto os discípulos perguntam-se quem pecou, se ele o os pais dele, Jesus, ao contrário, não resolve só a disputa teórica – nem ele nem os pais dele pecaram – mas passa a agir, sanando o infeliz. Assim Ele confirma ser o Logos criador. Como da lama criou o primeiro homem, assim com a lama dá de novo a vista ao cego. Readquirindo a vista, percebendo a luz o cego renasce, assim como somos acostumados a dizer quando nasce uma criança: “Veio à luz”.

A entrada na vida é, de fato, a entrada na luz. Curando o surdo-mudo, Jesus lhe abriu o ouvido aos sons da natureza e às palavras dos seus familiares; curando o cego, o nosso Redentor dá a ele um dom ainda maior: aquilo da luz, das cores, dos rostos dos seus queridos, do maravilhoso espetáculo da natureza em toda sua multíplice beleza e inspiração. Mas, sobretudo, o cego pode ver o rosto do seu curandeiro, melhor, do seu divino Criador.

Trata-se de um milagre especial, que João coloca come ensinamento para nós. A cura do cego, de fato, é uma lição. Não se trata somente da história de um homem curado da cegueira física; é também a história de um homem iluminado por Aquele que é a luz do mundo. Existe um contraste paradoxal entre o cego curado e os fariseus. Os fariseus tinham uma vista perfeita, mas não reconheceram Jesus. Por isso são chamados de cegos.

Além da cegueira física, de fato, existe aquela espiritual, que impede ver a presença de Deus na nossa história pessoal e comunitária. A cegueira espiritual ignora a providência divina e nos faz caminhar na escuridão. No lugar de proceder à luz fulgurante do sol da verdade que é Jesus, freqüentemente preferimos caminhar sob a fraca chama de um fósforo.

Jesus nos convida a acolher a sua luz, a readquirir nossa visão espiritual, aquela interior, a luz da fé, que abre os horizontes da nossa racionalidade, abrindo-os ao conhecimento de Deus, ao reconhecimento da presença entre nós, da sua graça eficaz em nós.

O Senhor quer curar nossa cegueira, devolvendo-nos esta visão espiritual. Lembro aqui o episódio desconcertante do Antigo Testamento, aquilo da jumenta do profeta Balaão. Enquanto a jumenta via o anjo do Senhor, que obstruía continuamente o caminho, o profeta não via ninguém e espancava o pobre animal pelos desvios, que aconteciam aparentemente sem motivo. Não suportando mais esta injusta punição, a jumenta falou (é o segundo animal, depois da serpente do Gênesis, que fala na Bíblia): o que foi que eu fiz, porque me espanca? Eu sempre te obedeci. Não posso continuar, porque o anjo do Senhor me impede de caminhar. Neste momento, finalmente, abriram-se os olhos também do profeta e viu o anjo (Nm, cap. 22).

Em conclusão o anjo via o obstáculo na estrada e o profeta, ao contrário, não enxergava nada. Faltando-lhe esta visão espiritual ia, inconscientemente, encontro aos perigos.

O escurecimento da visão espiritual interessa não somente o profeta, mas também a nós. Talvez esta leitura espiritual do trecho de João sobre a cura do cego de nascença não seja arbitrária. O mesmo Senhor no-lo explica, quando, na Apocalipse, faz-nos esta repreensão: Tu és tépido, cego e nu. Te aconselho a comprar o colírio para ungir os teus olhos e recuperar a visão (cf. Ap 3,17-18). Precisa recuperar a visão espiritual, isto é, precisa abrir-se à visão das coisas de Deus.

Não devemos desanimar diante desta queixa por parte do Senhor, porque Ele, sempre na Apocalipse, nos tranqüiliza dizendo:
“Eu repreendo e castigo todos aqueles que amo. Portanto seja fervoroso e mude de vida. Eis que estou à porta e bato” (Ap 3, 19-20).

A Quaresma é o tempo oportuno para recuperar a visão espiritual, aquele famoso ‘terceiro olho’ que indica a capacidade de perceber a presença de Deus, de captar os sinais da sua vontade, de sintonizar-nos na frequência da Palavra de Deus e não nas vazias opiniões dos homens.

Jesus nos cura de nossa cegueira espiritual, assim como um dia abriu os olhos a Zaqueu para que ficasse curado da sua costumeira injustiça; abriu os olhos da Samaritana para que retomasse o reto caminho; abriu os olhos ao bom ladrão para que tivesse confiança na misericórdia do Senhor; abriu os olhos a Pedro para que reconhecesse a renegação dele; abriu os olhos a Tomás para que tivesse plena confiança nele. Todos eles acolheram com humildade e fé o convite a conversão.

Sem fé permanecemos na escuridão mais profunda e arriscamos perder a orientação. A fé, ao contrário, é aquela luz que nos ajuda a enxergar o que é verdadeiro, o que é justo, o que é bom, o que é belo. É Jesus a nossa luz: “Aqueles que me seguem nunca andarão na escuridão, mas terão a luz da vida”.

oOoOo

O Capítulo Geral é uma etapa de fé, uma etapa de discernimento à luz da verdade de Jesus, via verdade e vida.

Garanto-vos a minha oração para o vosso trabalho. Como vosso irmão e bispo, quero lembrar quanta confiança o Santo Padre e toda Igreja colocam no apostolado salesiano, que envolve o mundo inteiro e leva alegria e esperança a tantos jovens, necessitados de instrução, de educação, de formação cristã. Como Dom Bosco, continuamos a nobre tradição de fidelidade à Igreja, de obediência ao Santo Padre, de colaboração com os Bispos, de diálogo e de colaboração com todos os homens de boa vontade.

O magistério da Igreja é, hoje, um extraordinário protagonista do bem em iluminar a humanidade inteira sobre algumas fundamentais verdades humanas, como o amor, a acolhida, o cuidado e a defesa da vida, de cada vida, preciosa em si mesma, para que a qualidade da vida coincida com a vida mesma, que contém em si a sua suprema qualidade.

A obediência ao magistério – como queria Dom Bosco – nos ajudará a percorrer na luz da verdade o nosso caminho apostólico, para enfrentar o grande desafio da emergência educativa dos jovens. O nosso Reitor-Mor nos ofereceu, neste ano, uma maravilhosa estréia precisamente sobre a nossa tarefa educativa.
Façamos tesouro disso.

Desejo a vocês tanta alegria e tanta serenidade nos vossos diálogos e nas vossas deliberações, para que possam levar, a todos os irmãos, novo impulso apostólico e estímulo à própria santificação.

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