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As águas amargas do Êxodo

O livro do Êxodo nos fala de uma triste experiência do povo na travessia do deserto. Assim diz o texto: “Chegando a Mara, não puderam beber água de Mara, por ser amarga” (Ex15, 23). O povo sedento e cansado pede água e só encontra o amargo, fel. O povo murmurou, clamou a Moisés, fez um verdadeiro escarcéu. Tanto tempo no deserto, em busca de uma saída da própria escravidão e agora só encontra desilusão. A murmuração não ficou pequena, era necessária.

Também hoje nosso povo da Zona Leste clama e, às vezes também murmura de tantas coisas, mas que clama por justiça isto vejo e escuto, sobretudo pela questão água. O grande projeto de água para todos rasgou nossas ruas, deixou marcas que até hoje fazem os carros perderam o equilíbrio, mas não trouxe uma gota de água sequer para nossas torneiras. O projeto está praticamente parado, a população não sabe quando ele vai funcionar ou se vai, embora uma parte do trabalho foi realizado.

Estamos a alguns quilômetros do grande Rio Negro e padecemos por falta d’água, até parece uma brincadeira. Outros países com menos recursos hídricos tratam muito melhor a população. Aqui temos água em abundancia, mas o jeito controverso e pouco transparente de usar dos recursos naturais obedece a leis pouco favoráveis à nossa gente.

Será este um novo projeto eleitoreiro? Será que as obras serão aceleradas apenas no período das propagandas e das visitas de candidatos oportunistas que só aparecem nos bairros na época de pedir votos? São águas amargas da nossa atual travessia nesta Zona Leste de gente que luta para sobreviver em meio à insegurança cotidiana. Quantas mortes, assaltos e vidas ameaçadas pela falta de uma politica social que de fato respeite o ser humano. O povo não tem mais para quem clamar e toma a água amarga como pode.

Nossos jovens são exterminados pela forte presença das bocas de fumo que, em cada esquina dos bairros, tem seus chefes e suas manobras. Denunciar é inútil porque a policia sabe muito bem o mapa desta realidade, mas não tem força para agir porque sucumbe na inoperância. É um quadro amargo. Contudo, a esperança nos anima, faz valer às organizações comunitárias, os grupos de amigos que se reúnem para protestar, as reivindicações a políticos de boa índole, a presença da Igreja que alimenta com a Palavra da vida os mais fracos.
O nosso lema é não perder a esperança e abrir espaços para que as novas gerações encontrem sérios motivos para viver.

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