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2o. Congresso Missionário

Na esteira do 2º. Congresso Missionário Arquidiocesano: a vida é missão!

No dia 23/10 p.p. A Igreja de Manaus abriu com uma bela caminhada e celebração eucarística, o 2º. Congresso Missionário, que terá seu ponto alto nos dias 21, 22 e 23 de outubro 2011. O tema que norteia nosso trabalho é: “A missão renova a Igreja, revigora a fé, dá novo entusiasmo” (João Paulo II). O lema também é sugestivo: “Igreja de Manaus, tua vida é missão!”.

Dando continuidade ao evento, Na manhã do dia 27/11, os delegados e delegadas, assessores e equipe do COMIDI (Conselho Missionário Diocesano), estivemos reunidos para refletir o tema e a metodologia do Congresso. Durante a exposição do padre Nelson Pereira da Silva, responsável da Área Missionária Armando Mendes, missionário vindo da diocese de Vacaria, 8 anos presente em Manaus, chamou-me a atenção alguns elementos que considero essenciais na tarefa missionária. Procurei elencar sete grandes questões emergentes: o subjetivismo, a fragmentariedade, o mundo mágico-fantasioso, o novo jeito de catequizar, a comunhão, o medo de mudanças e a ausência de territorialidade. Agora partilho com o leitor estas considerações.

Na fala do padre Nelson apareceu a questão da subjetividade. Há um valor na subjetividade que não podemos desconsiderar, trata-se da autonomia, da responsabilidade, da criatividade, da ousadia. Somos pessoas que precisamos crescer na autonomia de nossas ações. Entretanto, a sociedade marcada pelo narcisismo se debate e afunda num tsunami de “liberdades autodestruidoras e egoístas” (Bento XVI). O desafio de ser Igreja missionária na subjetividade é romper com o narcisismo vaidoso, hedonista e imediatista, para criar laços de fraternidade. Uma Igreja madura é fonte de comunhão e missão.

Outra questão que apareceu na reflexão foi o tema da fragmentariedade. Estamos imersos numa cultura fragmentada e zapping. É uma vida de passagens, na qual o “ficar” marca as relações em todas as suas manifestações, seja amorosa, de amizade e eclesiais. Nesta realidade a interatividade é mais do que moda, é uma forma de relacionamento. As mídias são interativas e elas chegaram para marcar nossas vidas. Não dá para fugir. Faz-se, portanto, urgente a busca de princípios comuns que nos orientem para a essencialidade da missão, ou seja, o anúncio explícito da pessoa de Jesus Cristo. Infelizmente nossa forma de orquestrar a ação Evangelizadora é fragmentada. A missão eclesial, por sua vez, não consegue fundamentar opções de significado para a vida.

Considero também importante o fenômeno da magia-fantasiosa tão comum na cultura herryportiana. Há uma troca até inconsciente do real com o ideal. Vive-se numa cultura do imediatismo e da quase ausência do futuro. A missão eclesial tende, algumas vezes, a ceder a este espírito mágico com a comodidade do discurso, com as missas show, com as figuras mediáticas oportunistas e pouca projetualidade. É importante que o Congresso missionário nos ajude a repensar a missão à luz do seu passado, na atualidade de seus desafios e projetos em longo prazo.

Salta, em conseqüência, aos olhos, a necessidade de investir num jeito novo de catequizar, pois, o método até aqui vivido, mesmo com toda a influência da Catequese Renovada, não conseguiu superar a sacramentalização. É urgente mudar o processo para que o cristão realmente encontre Jesus Cristo luz, esperança, amor e salvador dentro da comunidade cristã. O processo iniciático, portanto, é um novo jeito de catequizar que mexe na base da missão da Igreja, redescobrindo o valor dos sacramentos, sobretudo os da iniciação (batismo, confirmação e eucaristia), e do discipulado, pois, a vida cristã não se limita no ritualismo, mas se concretiza na vivência. O desafio, então, de uma Igreja em missão, é formar os catequistas e demais agentes de pastorais e movimentos nesta nova mentalidade, em vista de uma comunidade catequizadora.

Numa sociedade plural como é a nossa a comunhão está em crise. O grande papa João XXII dizia que não podemos nos perder naquilo que nos divide, mas buscar a essencialidade. Eis a questão. Na comunhão plural não tem espaço para a uniformidade. Tampouco é prudente assumir a postura individualista que defende a tese “cada um no seu quadrado”. A comunhão é uma utopia, não está em lugar algum, mas é processo construtivo. Ela acontece na unidade do corpo com a riqueza de seus membros. São Paulo dizia que um corpo não pode ser uma orelha, uma mão ou grande cabeça, mas a orquestração de um todo nas suas variedades. A missão eclesial está envolvida neste arcabouço, mas carece de agilidade e criatividade.

Ficou também evidente na fala do padre Nelson o medo da mudança. Na fragmentariedade é comum fixar-se em métodos arcaicos. É a síndrome de Peterpam, quer dizer, o medo de crescer, de amadurecer, de evoluir no conhecimento. Por outro lado, Aparecida, nos chama a conversão pastoral para vencer a pastoral de manutenção. Isto exige mudança rápida e profunda. O saudoso papa João Paulo II, no ano vocacional, nos chamava a “avançar para águas mais profundas”. Eis o grande desafio. A missão – “Ide e anunciai” – só é possível na coragem de avançar para o mar agitado com novo ardor e novos métodos.

Outra questão significativa que surgiu nesta reflexão foi a ausência de territorialidade. Não existe mais o marco do território, sobretudo no âmbito da missão eclesial. A paróquia não é mais um território fechado com fronteiras definidas. A mobilidade humana redefine os interesses, os guetos, as ofertas e demandas. O grande desafio é evangelizar com a capacidade de “atrair”, como bem disse Bento XVI em Aparecida. O Evangelho atrai, converte e proporciona o encontro com Jesus Cristo. É muito diferente do proselitismo, da proposta indecente de um mercado religioso sem escrúpulos que ilude as pessoas com promessas e falsas mensagens de cunho religioso. O desafio é repensar a missão paroquial e, consequentemente a identidade do pároco neste processo.

A base deste arcabouço da missão tem três colunas: a acolhida, o afeto e a escuta. A missão eclesial, portanto, não é uma doutrina seca e escolástica, mas uma experiência que aprofunda na vida gera laços e se deixa guiar pelo Salvador.

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