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MEMÓRIA DOS REITOR-MORES FALECIDOS

Caríssimos irmãos,

Ainda com a atmosfera cheia da alegria que brota da Ressurreição do Senhor, reunimo-nos aqui nas Catacumbas de São Calisto para recordar o glorioso testemunho da Igreja dos primeiros séculos e para homenagear os Reitores-Mores falecidos e aqui sepultados, nesta "terra santa": P. Luís Ricceri, P. Egídio Viganò e P. João Edmundo Vecchi, meus predecessores.

É com certeza um momento significativo para recordar e agradecer a todos os Sucessores de Dom Bosco por aquilo que fizeram a fim de viver e comunicar fielmente o carisma do nosso amado Fundador e Pai.

Já se passaram 120 anos da morte de Dom Bosco e ao longo deste período oito sucessores prolongaram a sua presença de fundador e pai. Cada um deles, em contextos históricos, sociais e eclesiais diversos, contribuiu para enriquecer o único carisma, ao desenvolver e promover as suas potencialidades através de uma pessoal experiência e sensibilidade, e de um magistério atento.

Padre Miguel Rua caracterizou-se pela sua fidelidade a Dom Bosco e ao carisma salesiano, e pela sua ação sábia e clarividente. Abriu o mundo aos salesianos, ao cuidar em particular das expedições missionárias. Paulo VI ao beatificá-lo afirmou: "Ele fez do exemplo do santo (Dom Bosco) uma escola, da sua Regra um espírito, da sua santidade um modelo […], inaugurou uma tradição",

Padre Paulo Albera preocupou-se com a centralidade da vida interior, da espiritualidade dos salesianos e da consolidação da formação.

Padre Filipe Rinaldi sobressaiu-se pela paternidade e bondade, tanto que se dizia dele: é em tudo igual a Dom Bosco menos na voz. Teve a intuição da laicidade consagrada e foi o fundador das Voluntárias de Dom Bosco.

Padre Pedro Ricaldone deu um impulso determinante na consolidação da Congregação, através da sua reorganização, da promoção das escolas profissionais e do desenvolvimento da catequese com a fundação da editora Elledici; fundou o Ateneu Salesiano, hoje UPS; e procurou definir uma "doutrina salesiana". Deve-se notar que o seu mandato foi exercido durante a segunda guerra mundial, período, portanto, cheio de dificuldades.

Ao Padre Renato Ziggiotti atribua-se o relançamento da Congregação após o conflito e a sua valorização em nível internacional com as viagens a todo o mundo salesiano.

Padre Luís Ricceri teve que enfrentar os tempos difíceis da crise pós-conciliar (a partir de 1965); sublinhou a importância do salesiano coadjutor e da comunicação social; organizou o Capítulo Geral Especial, decisivo para a atualização da Congregação; definiu, enfim, o perfil intelectual do salesiano.

Padre Egídio Viganò foi um homem de grandes capacidades, versado, sobretudo, no campo teológico e espiritual; procurou redefinir o carisma salesiano para adequá-lo aos novos tempos; participou do Concílio Vaticano II, de vários Sínodos e das grandes Conferências Episcopais Latino-Americanas; lançou o "Projeto África" e consolidou a realidade da Família Salesiana.

Padre João Vecchi, meu predecessor, sublinhou a dimensão cultural da formação e acentuou o caráter educativo e pastoral da ação salesiana, lançando a idéia da atualização do sistema preventivo. Desenvolveu a "mentalidade de projeto" e deu impulso ao trabalho com os leigos e à Família Salesiana.

E agora, eis-me aqui, nono sucessor de Dom Bosco, mínimo entre tantos, empenhado em ser sempre mais semelhante a ele. Tive a felicidade de ter sido enviado para especializar-me em Sagrada Escritura. Foi uma graça que me serviu no passado e me servirá ainda mais no presente, em vista da missão a que fui chamado a realizar: potenciar a renovação espiritual dos irmãos e a sua identidade carismática. Em tempos como estes, o que se pede aos salesianos é um robusto e crível testemunho evangélico e um novo modo de viver entre os jovens, ao criar verdadeiras comunidades pastorais e oferecer propostas educativas e evangelizadoras de qualidade, de modo que possam reencontrar e desenvolver toda a riqueza de valores que o Senhor colocou em seus corações.

A este respeito, a Palavra de Deus, hoje, alinhada ao que venho repetindo há tempos adverte-nos de um perigo – nada imaginário – que insidia a nossa vida apostólica, levada sempre mais a uma atividade incansável: ou seja, o perigo de deixar de lado a coisa mais importante da nossa missão. Como os primeiros apóstolos em Jerusalém, somos colocados diante do desafio imperioso de responder a problemas sociais e pastorais ingentes, que surgem no mundo juvenil e popular. Mas "não está certo que nós abandonemos a pregação da Palavra de Deus" (At 6,2)!

A primeira comunidade apostólica precisou enfrentar a hostilidade do seu ambiente social (At 4,1-22; 5,17-33) e graves tensões em seu interior (At 6,1-7), que puseram à prova a sua sobrevivência e o clima de fraternidade que a tinha animado desde o princípio (At 2,42-47; 4,32-35). O conflito contrapunha os cristãos de origem judaica e aqueles de proveniência helenística; as tensões eram alimentadas por diferenças culturais e também por divergências nas convicções de fé sustentadas pelos dois grupos (cfr. At 7,2-8,1; 15,1-3). De acordo com a comunidade, os apóstolos elegeram sete homens, sobre os quais oraram e impuseram as mãos, confiando-lhes o "serviço às mesas" (At 6,3). Não tendo que dar tanta atenção à assistência cotidiana dos necessitados (At 6,1), eles podiam "dedicar-se à oração e ao ministério da Palavra" (At 6,4). Depois de ter providenciado a assistência às comunidades em suas necessidades mais urgentes, os doze apóstolos retornaram ao que "não era certo abandonar": "a pregação da Palavra de Deus" (At 6,2).
Aquele modo de agir, além de ser recordação dos inícios, continua a ser norma de vida para quem deseja viver como apóstolo de Cristo. Os evangelizadores que vêem em perigo os resultados do próprio esforço missionário de levar o evangelho devem, pois, retornar ao essencial. Os apóstolos não podem deixar de lado a própria vida de oração nem a pregação, só porque devem ocupar-se da vida comum de seus fiéis. Ao recuperar a oração e a Palavra de Deus, os apóstolos colocam no centro a sua missão e conservam a vida comum dos que lhe são confiados. Qualquer outro empenho, porquanto urgente possa parecer, deve passar a outras mãos.

À luz destas considerações, espero que Deus seja para todos e sempre o centro do qual procedem as mais profundas inspirações e os mais vitais dinamismos; que as opções pessoais e comunitárias tenham nEle a fonte e o referencial. Juntos, fixemos o olhar em Dom Bosco pai, mestre e modelo para aprender à sua escola a harmonizar qualidades e tendências, sonhos e esperanças, ações e intenções; a fazer nosso o seu apego aos valores religiosos, o seu realismo no trabalho, a sua tempestividade em encontrar respostas às necessidades dos jovens, especialmente os mais pobres, o seu idealismo realista e o seu realismo ideal; a grandeza das idealizações e a consistência das realizações; a afetividade intensíssima e a paternidade afetiva; e ainda a incansável dedicação aos jovens e a convicção de levar adiante uma missão extraordinária… Porque Dom Bosco foi grande: "homem profundamente santo e santo profundamente homem". Convido-os a conhecê-lo, amá-lo, imitá-lo, difundir o seu carisma. Foi esta, de fato, a mensagem de todos os Reitores-Mores, que faço minha, e que hoje como Capitulares acolhemos com devoção filial, enquanto recordamos de modo particular o P. Ricceri, o P. Viganò e o P. Vecchi.

P. Pascual Chávez Villanueva
Catacumbas de São Calisto – 05 de abril de 2008

trad.: jav

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