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PADRE NORBERTO HOHENSCHERER

by / 0 Comments / 311 View / 5 de setembro de 2018

Avança para águas mais profundas, e lança sua rede para a pesca! (Lc 5, 1-11).

Caros irmãos, irmãs, membros da família salesiana, jovens…

O dever de comunicar o falecimento de um salesiano é sempre exigente, sobretudo quando a morte chega de forma improvisa, nos deixando atônitos, como estamos agora.

Padre Norberto Hohenscherer, Vice-diretor e Vigário Paroquial na Comunidade Salesiana de Iauaretê/AM, esteve recentemente em Manaus onde participou do I Retiro Anual. Presença discreta, mas significativa, compartilhou ativamente dos momentos propostos. Não pôde assumir a tarefa de sineiro, por conta de um problema na perna que lhe obrigava usar muleta. Fora isto estava bem.

Após o Retiro, logo que possível seguiu viagem de Manaus a São Gabriel. Na segunda parte do trajeto de retorno, São Gabriel a Iauaretê, com aquela pressa própria dos homens apaixonados pela missão, decidiu ir sozinho, apesar de nossa recomendação em contrário. Já no rio Uaupés, próximo a comunidade de Taracuá, possivelmente fugindo de uma repentina tempestade, o experiente missionário, com mais de 50 anos de Brasil, concluiu seu trabalho, recebeu seu definitivo batismo nas águas.

Ao receber a notícia de seu desaparecimento, na manhã de terça-feira, 04.09, tomamos imediatamente contato com os salesianos informando o corrido e pedindo orações. A paróquia de São Miguel Arcanjo, animada pelo P. Roberto Cappelletti, organizou com os paroquianos momentos específicos de súplica ao bom Deus pelo seu querido vigário e assim os demais membros da Família Salesiana manifestaram solidariedade por toda parte.

Providências foram tomadas também junto as autoridades municipais do município de São Gabriel da Cachoeira no sentido de conseguir ajuda para as buscas. P. Antônio Carlos, juntamente com duas pessoas da FUNAI e o prático da Diocese de São Gabriel fizeram as primeiras buscas nas proximidades do possível local de naufrágio. Mais tarde a voadeira foi encontrada perto da comunidade Matapi, mas as circunstâncias e teorias do que aconteceu continuam suposições imprecisas.

As horas que seguiram foram de apreensão, esperança e confiante entrega de nosso desejo à vontade divina, conforme ouvimos do salmista na liturgia do dia – “O Senhor é amor fiel em sua palavra, é santidade em toda obra que ele faz. Ele sustenta todo aquele que vacila e levanta todo aquele que tombou”. (Sl 144).

Ao recebermos nesta noite a confirmação de sua Páscoa, uma vez mais apoiamo-nos na Palavra de Deus na busca por consolo e força. Sim, diz São Paulo, somos servidores de Deus, e cada um exerce seu serviço segundo o dom recebido de Deus” (cf. 1Cor 3,1-9). Assim Padre Norberto compreendeu sua vida – Um chamado para o serviço dos Povos Indígenas, e assim o fez até o fim.

Desde sua ordenação em 1970, em Iauaretê, até o dia de sua morte, jamais se afastou da área missionária do Rio Negro. A ele Deus concedeu a graça de plantar, regar e colher os frutos da missão, sem esquecer que “Deus é que faz crescer. De modo que nem o que planta, nem o que rega são, propriamente, importantes. Quem é importante é aquele que faz crescer: Deus”. (cf. 1Cor 2, 10b-16).

Padre Norberto não se fazia importante, ao contrário, apresentava-se sempre como “insuficiente”, necessitado de atualização. Com certa facilidade externava a preocupação com os novos tempos, as mudanças intensas na sociedade e na Igreja. Esta delicada modéstia não permitiu que conhecêssemos bem as dezenas de textos por ele escritos, além dos já impressos, para formação de lideranças, catequeses, homilias, que enchem a memória de seu computador.

Sua vida e todo o seu empenho missionário, como seus irmãos, apresentamos ao Senhor da vida, pois “aquele(s) que planta(m) e aquele(s) que rega(m) formam uma unidade, mas cada um receberá o seu próprio salário, proporcional ao seu trabalho. Com efeito, nós somos cooperadores de Deus, e vós sois lavoura de Deus, construção de Deus”.

Irmãos, esta é a terceira vez que vos escrevo este ano para anunciar o falecimento de um irmão. Não somos supersticiosos, nem medrosos da morte, somos crentes, homens de fé, e uma vez mais seguindo o conselho da liturgia desta semana, que me ajudou a percorrer estes dias de espera, reproponho o convite do Apóstolo de nos deixarmos esquadrinhar pelo Espírito e ouvi-lo (cf. 1Cor 2, 10b-16). Precisamos rezar e nos perguntar – A que empenhos o Senhor nos chama em nível pessoal, comunitário, Inspetorial? Que cuidados vocacionais precisamos assumir conosco e com as novas vocações? Com qual docilidade precisamos entregar nossa vontade pessoal nas mãos dos superiores para seguir suas orientações? Quais “manias” precisamos abandonar para aceitar as limitações da idade, da fragilidade do corpo, aceitar que envelhecemos, que precisamos que alguém possa nos fazer a gentileza de dar as mãos, servir uma refeição, sem que isto nos diminua?

“O homem psíquico – o que fica no nível de suas capacidades naturais – não aceita o que é do Espírito de Deus: pois isso lhe parece uma insensatez. Ele não é capaz de conhecer o que vem do Espírito, porque tudo isso só pode ser julgado com a ajuda do mesmo Espírito. Ao contrário, o homem espiritual – enriquecido com o dom do Espírito – julga tudo, mas ele mesmo não é julgado por ninguém. Com efeito, quem conheceu o pensamento do Senhor, de maneira a poder aconselhá-lo? Nós, porém, temos o pensamento de Cristo”.

Irmãos, irmãs, jovens… P. Norberto atracou seu barco nas margens do Rio Negro, como na cena do Evangelho desta quinta. Estava possivelmente cansado, fatigado, talvez assustado. Sentiu a frustração de “nada ter pescado”. Mas ao convite do Senhor, desapegou-se uma vez mais, como aliás foi a vida inteira, e entrou no rio-mar, avançou para águas profundas, foi ao encontro do Senhor.

Descanse em paz!

Jefferson Luis – Inspetor.

 

DADOS BIOGRÁFICOS DO P. NORBERTO

  •  Nasceu em Pöllau/Áustria em 06 de outubro de 1937
  • Pais: Ruperto Hohenscherer e Anna Hohenscherer
  • Batizado em Pöllau em 07 de outubro de 1937
  • Crismado em Graz
  •  Primeiro Colégio Salesiano / Missions Haus / Unterwalltersdorf/ Áustria em 02 de setembro de 1956
  • Noviciado em Oberthalheim em 14 de agosto de 1960
  • Recebeu a batina em 23 de outubro de 1960
  • Primeira Profissão em 15 de agosto 1961
  • Profissão Perpétua / Benedktbeuern / Alemanha em 27 de junho de 1966
  •  Estudou Filosofia em Missions Haus / Unterwalltersdorf/ Áustria de 1961 a 1962; Em Benediktbeuern / Alemanha em 1965
  • Fez o Tirocínio em Missions Haus / Unterwalltersdorf/ Áustria, como assistente de 1963 a 1964
  • Estudou Teologia em São Paulo / Lapa / Pio XI de 1966 a 1968 e em La Cita / Bogotá de 1968 a 1970
  •  Ordenado Diácono em El Porvenir de 24 de julho de 1969 pela imposição de Dom Emilio de Brigard, Bispo de Bogotá /Colômbia
  • Foi ordenado Sacerdote em Iauaraté / Rio Negro em 26 de março de 1970 pela imposição de D. João Marchesi, Bispo do Rio Negro / Amazonas
  •  Chegou ao Brasil em 1966

 

ATIVIDADES:

  • Iauareté/Rio Negro como itinerante de 1971 a 1973;
  • Pari-Cachoeira/Rio Negro como Diretor e Pároco de 1974 a 1979;
  • Pari-Cachoeira/Rio Negro como Pároco, Itinerante e depois Taracuá/Rio Negro de 1980 a 1984;
  • São Gabriel da Cachoeira/Rio Negro como Pároco e Encarregado de 1985 a 1989;
  • Iauareté/Rio Negro como Diretor e Pároco de 1990 a 1995;
  • Pari-Cachoeira/Rio Negro como Encarregado de 1996 a 1998;
  • Içana/Rio Negro como Encarregado de 1999 a 2001;
  • Santa Isabel/Rio Negro de 2002 a 2008 – como Vigário Paroquial em 2006; como Vice Diretor e Vigário Paroquial em 2007; como Ecônomo em 2008;
  • Santa Isabel/Rio Negro em 2009 como Diretor;
  • Santa Isabel/Rio Negro de 2010 a 2013 como Diretor e Pároco;
  • Iauareté/Rio Negro como Vice Diretor e Vigário Paroquial em 2014 e 2015;
  • Maturacá/Rio Negro como Vice Diretor e Vigário Paroquial em 2016 e 2017;
  • Iauareté/Rio Negro como Vice Diretor e Vigário Paroquial em 2018…

FALECEU em São Gabriel da Cachoeira (AM) em 03 de setembro de 2018. Tinha: 80 anos de idade;

  • 57 de Primeira Profissão;
  • 52 de Profissão Perpétua;
  • 48 de Vida Sacerdotal e;
  • 52 de Chegada ao Brasil.

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