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FÉ E ESPERANÇA: Nossa gratidão a Deus pela vida do P. João Sucarrats Font

by / 0 Comments / 96 View / 5 de julho de 2018

Por P. Jefferson Luis – Inspetor –

Caros irmãos e irmãs, ao recordarmos hoje o 7° dia de falecimento do P. João Sucarrats Font desejei expressar minha gratidão e de toda a Inspetoria São Domingos Sávio pelo dom de sua vocação, o bem que fez, o testemunho de fé que animou sua vida de missionário e a firme esperança demonstrada no exercício de seu apostolado como religioso presbítero.

A missa, sacrifício pascal de Cristo, por ele tantas vezes celebrada, recebe muitos nomes. Hoje, nas diversas comunidades que rezam em sufrágio de sua alma é adjetivada com o termo fé e esperança. E é muito conveniente que assim seja, pois ao rezarmos pelos falecidos outra coisa não fazemos senão reafirmar as palavras do Credo – Creio na vida eterna!

A prática de rezar pro defunctis, registrada na liturgia católica desde o segundo século é mais que uma simples lembrança, é memória do evento salvador de Cristo, oferecido pela salvação de todos. No quarto século os cristãos relacionaram o número sete com os dias de conclusão da criação, o descanso de Deus, “símbolo do repouso futuro”. Seja como for, celebrar o terceiro, nono, sétimo ou trigésimo dia, é afirmar – Deus salva! E a Igreja, por súplicas e preces pede ao Senhor o perdão dos pecados e a glória celeste aos que já partiram.

Nesta perspectiva a liturgia de hoje se conecta com a missa de corpo presente. No ofício dos fiéis defuntos salesianos o texto da primeira leitura era exatamente trechos do capítulo 11 da carta aos Hebreus, que inicia como uma bela definição do que é a fé – “a fé é a certeza daquilo que ainda se espera, a demonstração de realidades que não se veem” (Hb 11, 1).

Fé e esperança são palavras diferentes, mas nas Sagradas Escrituras expressam uma mesma realidade, pois ambas estão fundadas na certeza do Deus que não decepciona. De fato, “na esperança, nós já fomos salvos” (Rm 8, 24). Por isso “feliz é o homem que confia no Senhor” (Sl 40, 5), que faz d`Ele seu “escudo protetor” (Sl 18, 3).

Sim irmãos, a morte, assim como a vida, não se explica pela simples lógica biológica ou pelo acaso natural, nem pelo infortúnio de uma frágil saúde. A morte só pode ser acolhida como parte do caminho que leva à promessa de “uma felicidade sem fim àqueles que procuram, antes de tudo, o Reino dos céus”. Por isso, ficamos triste quando partiu o P. João, mas cheios de esperança, pois o discipulado do Senhor e a busca do Reino de Deus foram objeto de constante exercício na sua vida. Ele está agora no lugar reservado aos homens de boa vontade, aqueles a quem o Pai chama de benditos e para os quais reservou um lugar à sua direita (cf. Mt 25, 34).

A carta aos Hebreus apresenta como modelo dessa fé a figura de Abraão. E me permitam aqui aproximar traços entre o patriarca e o nosso estimado missionário P. João Sucarrats:

“Abraão obedeceu à ordem de partir” - P. João, nascido em 21 de agosto de 1944 em Terrasa – Barcelona/Espanha, sentiu desde cedo a inclinação para a vida Religiosa Consagrada. Após seu primeiro contato com os salesianos em 1952 e tendo passado pelas provas do noviciado e da formação inicial, também partiu. Não podemos imaginar o tamanho da consciência que tinha naquela ocasião da sua decisão, mas o fato é que para um jovem de apenas 22 anos esse gesto é heróico.

João chegou no Brasil em 19/10/1966 e aqui fixou sua morada. Fez deste país a sua pátria. Mas sabia que sua morada definitiva estava em outro lugar. Ele também, assim como Abraão, esperava a cidade de sólidos alicerces. Por isso um dos lemas do P. João repetidos quase que como jaculatória era – Sim Pai! Uma obediência vivida na disponibilidade e alegria, testemunhada por todos que ouviram dele a frequente pergunta – És feliz? Seguida da resposta – Seja feliz hoje!

Abraão é chamado de pai da fé, pois esta é a promessa que Deus lhe fez, ser pai de uma multidão. Assim também o padre João, tornou-se, mesmo celibatário, pai de uma multidão de jovens. Transcorridos poucos minutos de sua morte recebemos tantas mensagens e tantas outras incontáveis foram publicadas e compartilhadas nas redes sociais com palavras de agradecimento pelo bem que fez. Tantos jovens carregam no peito as cruzes de tucum por ele tecidas, possuem os opúsculos de reflexão sobre as Bem-aventuranças ou o Pai-Nosso escritos e distribuídos com zelo catequético por ele.

Outro aspecto da vida do P. João que quero destacar é o serviço. Padre João, enriquecido por Deus de diversos dons e carismas, foi um servidor. Prestou para à nossa Inspetoria e a Igreja diversos serviços de governo e animação, entre eles a missão de Inspetor salesiano. Foi secretário em diversas ocasiões, Mestre de noviços, diretor de pós noviciado e teologado em São Paulo, além das inúmeras palestras, cursos, assembleias por ele ministradas ao povo de Deus, Presbíteros e Bispo da CNBB e dos seus regionais – Ele possuía o dom da síntese, ouvimos de diversas pessoas.

Seu amor pela Amazônia e o conhecimento da história da Igreja nesta região eram admiráveis. Estava vibrante com o Sínodo e dele tinha firmes esperanças. Como o servo fiel do Evangelho de Lucas, P. João foi diligente, vigilante na espera do seu Senhor. De personalidade firme, não temia contrariar, mas era humilde para desculpar-se quando percebia ter sido duro demais. Entendia bem o peso da responsabilidade a ele confiada e buscava corresponder a essa exigência com a melhor eficácia possível. Sabia que “a quem muito foi confiado, dele será exigido muito mais” e por isso mesmo deixou-se trabalhar pela graça divina a fim de ter não somente conteúdo, mas profundidade espiritual (cf. Lc 12, 35-48).

João passou seus últimos dias em Santa Isabel do Rio Negro, convivendo fraternalmente com os irmãos e destinatários de nossa presença. Aí, no coração da Amazônia, deu seu último SIM ao Pai. Agora ele goza da beatitude dos bem-aventurados, ele comtempla aquilo que ainda esperamos. Ele finalmente vê claramente. Ele atravessou para a “outra margem” com Jesus e aí pode comtemplar os milagres de sua presença salvadora (cf. Mt 9, 1-8).

Elevemos uma vez mais nossa prece ao bom Deus para que perdoe as faltas que nosso irmão cometeu durante sua vida e lhe acolha amorosamente no paraíso, permita alegrar-se no encontro com seus entes queridos, sentar-se na mesa dos santos, ouvir de nosso amado pai Dom Bosco um convite para entrar no jardim salesiano.

Ao Senhor nossa gratidão pelo dom da vocação salesiana e missionária. A vida e testemunho de tantos homens e mulheres que doaram o melhor de suas forças nestas terras. Que deixaram os projetos pessoais, as comodidades de uma vida tranquila para aventurarem-se por esta vasta Amazônia.

O Espírito Santo derrame sobre nós e sobre toda a Amazônia uma generosa chuva de bênçãos e transforme em vida a vida doada. Que sua alma encontre o descanso eterno, conduzida pelas mãos carinhosas da Virgem Maria, a mais perfeita discípula da fé.

Descanse em Paz!

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