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O LIXO DO LIXO: UM DEBATE HUMANITÁRIO

by / 0 Comments / 20 View / 7 de julho de 2017

Pe. João Mendonça, sdb

Estamos num tempo de grandes perplexidades. A começar pela crise democrática que estamos passando até a violência urbana que nos assusta, inclusive com a triste notícia de policiais especializados contra narcóticos envolvidos na venda de drogas, disputando com bandidos; aliás, aliados a eles. Incrível! Para quem nasceu nos anos dos golpes e, sobretudo, do golpe de 1964, e atravessamos vinte e seis anos para chegar as Diretas já e o retorno ao estado Democrático de Direito, o que está acontecendo é um grande retrocesso que mina nossa adolescente democracia e atinge os pobres, aquelas já apertados pela pobreza e pela falta de quase tudo, pois a dignidade nossos políticos já perderam. Organizaram-se em quadrilhas para assumir o poder e nele permanecer à qualquer custo. Um golpe após outro atingindo até o STF. A suprema corte cai nas artimanhas da ganância do poder e da falta de credibilidade. Estamos numa crise institucional horrorosa.

A quem ouvir? Em quem acreditar? A quem recorrer? Há uma sensação de impotência cidadã. Quem deveria ser sinal de unidade da Nação e de honestidade está lambuzado pelas falcatruas de uma direita armada até os dentes para se manter no poder. Os “tucanos” nunca foram tão evidentes como hoje, apesar de ser um pássaro raro. A imparcialidade de Curitiba nos assusta. Os pactos do Supremo Tribunal Federal com os golpistas nos deixam perplexos. Um prende e o outro solta. Um acusa e o outro defende. As provas dos crimes são banais e as delações tornam-se inoperantes. Estão matando a Democracia. A classe política atual não nos representa. São leões famintos que comem tudo que cai em suas presas, inclusive as migalhas que caem das mesas. Os roubos são bilionários. O país foi roubado. Não há líderes na política brasileira, nem nas religiões, muito menos entre o povo. O país vive uma agonia política, moral e ética crônica.

A única coisa que nos resta é a esperança de que ainda possamos como povo organizado, livres de sindicatos, partidos políticos e manipulações arbitrarias do poder, gritar, ir às ruas, manifestar nossa indignação. A única saída democrática é a reação do povo como um antidoto contra esta doença mortal chamada corrupção. Porém, o povo está cansado, horrorizado, perplexo, amordaçado, faminto, fraco demais, rouco demais. Quando o povo sai às ruas as quadrilhas do poder dizem que somos anarquistas e vândalos. As estatísticas minimizam a presença das massas nas ruas. Tudo termina em pizza. O povo está cansado e aqui está o maior perigo. Um povo cansado, sem capacidade de pensar e agir de forma estratégica pode se tornar uma arma perigosa. A força do ódio e da vingança é muito pior que a indignação reflexiva.

Aqui entro num problema local que considero grave. Em Marituba o governo permitiu, com o aval do prefeito de Belém, Ananindeua e Marituba e demais corte política, que se instalasse de forma ilegal, sem o cumprimento das leis ambientais, um aterro pavoroso que se tornou um lixão fedido que está esmigalhando a população local. Um crime ambiental terrível. As autoridades se omitem, empurram com a barriga o problema, não dão ouvido ao grito do povo, fazem de conta que o movimento FORA LIXÃO um dia cansará de gritar e ficará para sempre mudo. Ai está o perigo. O povo não se calará. O movimento não cessará. A luta contra este dragão da ilegalidade institucional pode até ser maior do que nós, pode até beber do nosso sangue, mas não matará nosso espirito. Estamos na luta e a luta continuará porque temos asas para voar alto. Queremos este lixão fora daqui. Cremos que as portas do inferno não irão prevalecer. “É preciso, como nos disse papa Francisco, ultrapassar aquele sentimento de mau-humor e resignação que muitas vezes se apodera de nós, lançando-nos na apatia, gerando medos ou a impressão de não ser possível pôr limites ao mal. faz-se urgente deixar-se conduzir pela Boa Notícia no meio do drama da história, tornando-se como faróis na escuridão deste mundo, que iluminam a rota e abrem novas sendas de confiança e esperança”

(Mensagem para o 51º. Dia Mundial das comunicações sociais 20170)

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