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Casimiro Beksta é homenageado na Faculdade Salesiana

by / 0 Comments / 80 View / 28 de outubro de 2008

Manaus/AM - A concessão do título de docente Honoris Causa para o padre salesiano Casimiro Beksta foi o grande momento da programação do I Seminário de Antropologia Indígena realizado pela Faculdade Salesiana Dom Bosco (FSDB) no dia 17 de outubro. Na ocasião, além da homenagem, foram realizadas ainda duas mesas-redondas e uma mostra de filmes sobre os povos do Alto Rio Negro. A concessão do título foi acompanhada por professores, docentes e funcionários da FSDB, além de participantes vindos de outras instituições.

O título docente Honoris Causa é atribuído a personalidades que tenham se destacado pelo saber ou pela atuação em prol das artes, das ciências, da filosofia, das letras, ou do melhor entendimento entre os povos. Geralmente é oferecido a alguém de fora dos quadros da instituição, mas que deu contribuição significativa aos cursos nela ministrados. Em muitas universidades, é o título máximo a ser concedido a alguma personalidade. Esta é a primeira vez que a FSDB faz uso desta honraria.

O título foi concedido pelo diretor-executivo da Faculdade Salesiana, César Lobato. Ele afirmou, no prefácio de apresentação do livreto “Casimiro Beksta… entre o apostolado e a pesquisa antropológica”, publicado no dia do evento: “Sua grande relevância para o desenvolvimento da antropologia nesta região é irrefutável, pois é facilmente reconhecida e verbalizada. No entanto, Beksta permanece um personagem enigmático exatamente pelo seu quase anonimato”, disse o diretor-executivo, referindo-se à reclusão auto-imposta pelo salesiano, que declina de qualquer convite que lembre sua importância ou que exalte sua obra.

Para participar da homenagem, foram chamados educadores de várias instituições, como o diretor da Editora da Universidade Federal do Amazonas (Edua), Renan Freitas Pinto; o professor Renato Athias, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Lino das Neves, também da Ufam. Além disso, também estavam presentes o padre Justino Sarmento Rezende, do distrito de Iauaretê, em São Gabriel da Cachoeira; e o padre Francisco Alves, vice-inspetor da Inspetoria Salesiana Missionária da Amazônia (Isma). Todos discursaram na ocasião e lembraram a importância de Beksta para o desenvolvimento de trabalhos etnográficos e antropológicos sobre os povos do Alto Rio Negro. Casimiro Beksta foi lacônico em seu discurso de agradecimento, dizendo apenas um bem-humorado “muito obrigado”.

A vida do missionário

Nascido na Lituânia, Casimiro Beksta chegou ao Amazonas na década de 50, quando foi transferido para São Gabriel da Cachoeira, no extremo norte do Estado. Convivendo com diversas tribos indígenas que habitavam aquela região, deu início a uma respeitada carreira de documentarista, escritor, lingüista, intelectual e militante dos movimentos indígenas. Sua militância o levou a coordenar a Pastoral Indigenista da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e fez com que ele fosse uma das figuras principais na criação do Conselho Indigenista Missionária (Cimi), ocorrida na década de 70.

Além disso, Beksta também lecionou por muito tempo Centro de Estudos do Comportamento Humano (Cenesch) de Manaus, onde deu aulas para várias gerações de estudiosos das Ciências Sociais que hoje estão no mercado ou em outras instituições de Ensino Superior. Suas obras tornaram-se referências internacionais e ele é comumente chamado para auxiliar estudantes que vêm de outras regiões do globo. Seu último trabalho foi a tradução direto do alemão de “Dois anos anos entre os indígenas – Viagens no Noroeste do Brasil (1903-1905)“, obra do antropólogo Theodor Koch-Grunberg publicada pela FSDB e pela Edua em 2005.

Mais informações sobre a vida e obra de Beksta podem ser obtidas no livro “Casimiro Beksta… entre o apostolado e a pesquisa antropológica”, publicado em 17 de outubro e disponível para venda na secretaria da Faculdade Salesiana Dom Bosco.

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